quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Apagão.

Tem gente que ficou com medo na hora do apagão. Tem gente que ficou presa no elevador.

Eu não. Fiquei revoltado. Porque tinha visto a capa da Veja na véspera, dizendo que agora meu sucesso só depende de mim, porque o Brasil decolou.

Como é que um país que decolou fica no escuro, por 6 horas, e a única explicação é... um raio?

De onde surgiu a noção de que o Brasil virou potência, que agora vai, que nós e o Lula somos os caras? Por causa da Copa e da Olimpíada? Por causa do pré-sal, que só virou assunto depois do fracasso do Etanol (2007 o Bush veio aqui para falar disso, mas descobriram que não daria em nada, e agora focamos no petróleo).

O apagão terá sido um esporão calcâneo, aquele problema que os adolescentes enfrentam no seu processo de crescimento. E nossa marcha rumo ao topo do mundo prosseguirá, inconteste.

Vamos abrir os olhos. Ninguém fez nada de diferente para mudar uma história de 500 anos de preguiça e safadeza. Os políticos são os mesmos, o analfabetismo é o mesmo, os buracos no asfalto são os mesmos. A falta de ética, a sonegação, a bipolaridade do brasileiros seguem idênticas.

Por que é que decidimos agir como se tivessemos feito algo e agora estamos colhendo os frutos? Só porque o Obama disse que Lula é o cara? Mas a gente não acha que o Lula é uma fraude?

Pensando bem, melhor não abrir os olhos. Vai que ao se abrir está tudo escuro, porque dessa vez um parafusinho se soltou e 24 estados ficaram às cegas. Ou então melhor não reclamar do apagão.

Porque no escuro fica mais fácil não enxergar o quanto nós brasileiros gostamos de nos iludir.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O merchandising fora de controle.

Cliquei num link da Globo.com: "Brasileirão 34a. rodada. Ronaldo marca golaço."
Abriu um pop up do pacote com dois DVDs do Viva o Gordo, do Jô.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

O dia em que virei homem.

Em 9 de novembro de 1989 eu tinha 14 anos.

Lembro de estar em casa, deitado no tapete de frente para a TV, esperando o tempo passar depressa para virar adulto e enfim aproveitar as copiosas aventuras que, até ali, não tinham acontecido.

Aí explodiu a vinheta de plantão urgente da Globo, com milhares de câmeras voando em volta do símbolo da emissora e aquela musiquinha das desgraças: "tantantanta tarararam... tantantantan taaaaan....". Não há um estômago humano que não se revire ao ouvir essa musiquinha.

Era para dizer que milhares de alemães orientais estavam se assanhando para cima dos soldados que guardavam o muro. Eu não entendia direito nada daquilo, mas meses antes o pau havia quebrado na China, inclusive com uma das cenas mais publicitárias de todos os tempos, do carinha com o casaco impedindo uma fila de tanques, lembra? Então. Jornalisticamente, todos se preparavam para mais um banho de sangue comunista. Enquanto isso eu, nos meus 14, estava focado em conseguir transar pela segunda vez na vida, porque a primeira tinha sido meio café com leite, e em aprender a tocar guitarra. Só.

O Plantão Urgente voltaria a qualquer momento, intervalo, uns dois comerciais imemoráveis e aí "TANTANTAN TARARARAAAAAM". De novo! Era para mostrar que os soldados alemães, ao contrário dos soldados chineses, não estavam sendo muito militares. Pelo contrário, tinha gente pulando o muro. Pulando?


A tarde seguiu assim, num clima de desentendimento. Não havia internet, TV a cabo, não havia nada. Só a Globo, Alf o ETeimoso e os plantões urgentes, e você tinha que esperar o Jornal Nacional.

Mas aí volta o plantão, e a imagem era a de um carnaval. E os alemães estavam botando para baixo, com martelos, paus, e pedaços de muro contra o muro. E pichando e rindo, gente se abraçava, e o locutor explicava que famílias que estavam separadas há décadas se reencontravam livremente, e um cara vestia o quepe do soldado, e o soldado ria e o abraçava também, todo mundo chorando de felicidade. Eu nunca tinha visto um momento histórico ao vivo. Mesmo sem entender direito o que acontecia, entendi que era para chorar também.

Foi o dia em que eu virei homem, porque eu percebi que fazia parte do mundo.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Flamengo.



Eu sou corintiano. Nunca tive essa babaquice de torcidas irmãs com os flamenguistas, até porque conheço-os em número suficiente para saber que a recíproca é verdadeira. Mas ao ver essa foto hoje na internet, tive uma pontinha de inveja. E uma pequena dose de alívio por termos roubado o Ronaldo deles.

Porque a foto é a prova cabal e emocionante da reabilitação de um dos maiores jogadores da história do Brasil. Incomparável, craque, gênio, essas coisas todas que os caras dizem sobre camisas 10. Que chegou desacreditado, até meio por baixo, contra a vontade de um monte de gente que insistiu em desconsiderar o que a massa rubro-negra pensava e berrava na arquibancada. A massa que já sabia, e a foto mostra, que o Flamengo tinha trazido o jogador perfeito para ser campeão.

Óbvio que eu estou falando do cara ao fundo, de braços levantados. Feliz de verdade porque seu time de coração está ganhando. Com gol do camisa 10 postiço, que levou a camisa do Zico na base da carteirada.

O camisa 10 da Gávea é o Pet. Melhor jogador em atividade no Brasil.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

E na seção "Rumo ao Rio 2016" de hoje...

O nome do PM que não prestou socorro ao coordenador do Afroreggae, e ainda roubou seus tênis e jaqueta: Capitão Bizarro.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Pequena reflexão sobre o Twitter.

Não me siga. Também estou perdido.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

ESTOU NA CAPA DO UOL HOJE.

Fama. Dinheiro. Iates. Mulheres.

Estou na capa do Uol de hoje.




Aqui.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Agora, o Oscar.

Em primeira mão, o trailer do filme que vai trazer o primeiro Oscar para o Brasil.

Aqui.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Problema olímpico.

Você já parou para pensar no que vai acontecer com o astral do país caso a Seleção não vença a Copa de 2014 em casa?

Alguém vai querer cantar hino nacional?

terça-feira, 6 de outubro de 2009

O Brasil é um país de primeira classe, finalmente.

Copa do Mundo? Olimpíadas? Porra nenhuma: agora o Brasa tem Apple Store.


Vamos gastar dinheiro, putada.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A NET e as Olimpíadas.

Mudei de endereço, sem nem sair do meu bairro.
6 quarteirões para cima, na verdade. E acabei de descobrir que não dá para continuar assinando NET, porque ali, naquele pedaço, não há cabos. Não é genial? 6 quadras acima, menos de 1 km! Agora eu sou a favor das Olimpíadas no Rio. Assistirei ao vivo, já que não vou poder acompanhar pela TV.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Olimpíada no Rio?

Estava lendo que um dos manda-chuvas da comitiva pró-Rio 2016 é Ricardo Leyser.
Ele foi um dos grandes responsáveis pela organização dos Jogos Panamericanos de 2007 e acaba de ser condenado pelo Tribunal de Contas da União a devolver 16 milhões de reais gastos indevidamente.

E esse é apenas um.

São dezenas, centenas de manda-chuvas, de garfo e faca em riste e guardanapo amarrado no pescoço, esperando o Rio ser escolhido pelo COI para começarem o banquete com o dinheiro público.

Por isso eu digo: ser a favor dos Jogos no Brasil é ser idiota.

Idiota por omissão, embarcando no patriotismo de oportunidade: aquele que aparece quando o Brasil disputa em algum esporte, mas desaparece nas eleições ou na hora de pagar impostos. E quando o cara ganha prata.


Ou idiota por cumplicidade, que é mais típico ainda. Esperando pelas gordas e sujas verbas de publicidade, ou do ágio que se poderá cobrar sobre os poucos quartos de hotel, pouquíssimos lugares nos aviões e pouquérrimos lugares nos restaurantes.

Vi um site pró-candidatura do Rio feito por moradores de Chicago. Me considerei duplamente injuriado. Um, porque como no caso dos containeres de lixo que mandaram da Inglaterra para cá no começo do ano, trata-se outra vez de gringos empurrando pra cá o que eles sabem ser ruim. E dois, porque zombam da nossa hegemônica ingenuidade, com essa aprovação popular que não enxerga meios, só fins.

Se eu tivesse dedos em vez de cascos, estariam cruzados contra Rio 2016. A Copa de 2014 já vai ser roubalheira suficiente.


Franz Ferdinand.

Antes do show, num frio miserável que fazia do lado de fora, encontro com um amigo. Ele me pergunta qual a música que mais quero escutar nesta noite.

Um pouco envergonhado, já que estava entre uma maioria de fãs hardcore da banda, confessei estar ali pelos hits. Na verdade alguns shows têm que ser vistos, não importa o seu grau de preparação - eu prefiro aliás ver ao vivo as bandas que conheço de longe, para ser imparcial na hora de avaliar.

No fundo do palco, um gigantesco banner com o nome da banda. Eu tenho preconceito contra bandas que colocam o próprio nome no palco. Equivale para mim àquelas meninas adolescentes que não conseguem parar de escrever o próprio nome na carteira da escola.

Mas eis que começa. Quebradeira. Ao fim da segunda música, o baixista sorri maravilhado. 99% dos presentes haviam cantado palavra por palavra até ali. Um dos guitarristas, o que parece a mistura entre Violent Femmes e Devo, está fora de si.

Após a terceira música ele afina a guitarra. E o Franz Ferdinand está apavorando. Dica do búfalo para você, que também é um crítico diletante de concertos de rock: quando a banda afina as cordas por volta da terceira música é porque está metendo a mão, empolgada pelo próprio show.

E os caras tocam muito, barbaramente. É fácil cantar junto, porque os hits se sucedem, Ulysses, This Fire, Matinee, Can't Stop Feeling. Aos primeiros acordes de Take Me Out, talvez o maior sucesso deles, a The Week vem abaixo.

Quando saí, já não parecia estar tão frio.

Franz Ferdinand, Matinee.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Rubinho e seu amuleto.



Acabo de ler que o Rubinho descobriu a força da camisa corinthiana.
Ele foi fotografado usando uma camisa do Timão antes de 3 GP's esse ano, e pegou pódio nos 3.

Mas aí fiz o raciocínio inverso. O quê será que eu concluí?

Exatamente: o Corinthians não ganhou em nenhuma dessas vezes.



Austrália, 29/03: Rubinho em 2º. Corinthians? Empate com o Guarani, jogando em casa.
Espanha, 10/05: Rubinho em 1º. Corinthians perde para o Inter, jogando no Pacaembu.
Monza, 13/09: Rubinho em 1º. E o Corinthians empata com o Coritiba (não jogou no fim de semana
, foi na 4a feira logo depois).

Será que eu preciso mesmo passar tantas horas na internet?


da Globo.com

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Pequena reflexão sobre o amor eterno.

Sim, eu te darei o mundo. Mas de econômica.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009



The Beatles, remastered.

Quem sou eu para escrever algo sobre os Beatles? Uma banda que gravou todo o seu trabalho em menos de 7 anos e até hoje é referência não precisa de análise.

Exceto pelo lado mercadológico. O jeito que os executivos da EMI/Sony/Apple têm apara continuar tirando ovos de ouro da galinha é relançar coisas sutilmente diferentes, alimentando o que os os fãs da banda tem de mais nerd e obsessivo por detalhes.

Por exemplo: nesta coleção o CD de Yellow Submarine sai como no disco original, e não como trilha sonora do filme, única versão existente em CD até então. Ou Magical Mystery Tour sai com a mesma ordem de músicas que foi lançada nos EUA, em vez da versão britânica em EP existente até então. O que muda na prática? Nada. Viu como é coisa para nerd?

Como já comprei 5 versões ligeiramente diferentes do Álbum Branco, dessa vez fui atrás de informações se algo é realmente novo nos remasters. Descobri que quase nada é.

Os 5 primeiros discos, Please Please Me, With The Beatles, A Hard Day's Night, Beatles For Sale e Help! só existiam em Mono. Saem enfim em estéreo, depois de um trabalho minucioso dos engenheiros de Abbey Road (marketing), utilizando tecnologia de última geração combinada com os equipamentos originais de mixagem (marketing) para chegar no resultado digital mais fiel ao original analógico que se tem notícia (marketing, porque segundo um tal Martin Taylor do The Independent, "the mono albuns in stereo are rubbish").

Aliás, se você não tem e pretende ter esses 5 primeiros discos em CD, compre em Mono, que é como eles foram concebidos. De Rubber Soul até Sgt. Pepper's, utilizaram a versão em estéreo realizada em 1987 por George Martin, produtor de todos os discos exceto Abbey Road (que junto a Yellow Submarine e Let It Be, só existe em estéreo). 1987 foi quando saíram aqueles Past Masters que incluíam versões diferentes e, no caso deste último álbum, muito melhores, removidos os exageros de efeitos sonoros e maluquices.

Quer dizer o quê, ó Búfalo? Que ninguém precisa destas remasterizações.

Mas e os minidocumentários ao fim de cada disco, com imagens raras e trechos inéditos de entrevistas feitas durante as gravações?

Marketing. Se você está aguentando ler até aqui, é porque conhece do assunto. Então sabe que não existe mais nada inédito ou raro sobre os caras. Questão matemática: a obra dos Beatles foi feita em 7 anos e vem sendo escarafunchada há 39 anos. Não sobrou nada novo.

E ainda assim, 3 dos 10 discos mais vendidos nos EUA nesta semana são deles. Os executivos de marketing sabem o que estão fazendo. Mas acho que podiam ter guardado o lançamento do Rockband para o ano que vem.

The Beatles Rockband Commercial. Very strange.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Idéias que eu preciso patentear, número 129.

Pubic Hair Stylists®.

Salão de cabeleireiro específico para a região pubiana da mulher moderna.

Os nossos stylists analisam a altura do monte de vênus, o formato da lábia e outras características da cliente, como a frequência de uso, e a partir daí indicam o melhor estilo de corte (ou corte nenhum, indicado por exemplo para as brasileiras a caminho da Europa).

Por que se nem todos os rostos ficam bem de franja, nem todas as vulvas ficam bem de Brazilian Wax.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Nome comum.

Uma das razões para manter este blog anônimo é a espantosa obviedade do meu nome.

Uma combinação ordinária de sobrenomes comuns, que faz com que eu tenha 2 homônimos conhecidos por mim e, numa googlada básica, mais de mil outros com pequenas variações.

Mas eis que eu chego no aeroporto de Heathrow. Era para ter um carro me esperando, com uma daquelas plaquinhas com meu tal nomezinho estúpido. Me desencontrei do motorista, fui trocar dinheiro na casa de câmbio e encontrei o cara quinze minutos depois.

Ele me contou que um outro passageiro brazuca lhe havia abordado. Ao ver a placa, pediu para tirar uma foto: embora o carro não fosse dele, o nome da placa era.

Igualzinho o meu, desembarcando em Londres no mesmo dia e do mesmo vôo.

Voltei.

Ei, você. Desculpe o sumiço. Fui para Londres a trabalho, não deu tempo de escrever nada. Seguem algumas fotos da viagem.


Knightsbridge, bem em frente à Harrods.



Bem próximo ao Nag's Head, um dos pubs mais antigos de Londres.



Matt, um amigo londrino, antes do jogo Argentina X Brasil. Ele odeia o Maradona.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Hoje é a aniversário do Corinthians.

Parabéns, time que eu amo de coração e, como todas as coisas do coração, mais me faz sofrer do que qualquer outra coisa.

Tomara que não tenha bolo de aniversário. Senão o Ronaldo vai voltar da lipo tão gordo quanto antes.

Então encontraram o Belchior.

Neste momento quase dinamarquês da nossa história, em que tudo é perfeição e otimismo, não há violência, não há preocupação, não há caixa dois, ninguém sonega impostos e os impostos que eu pago não estão indo pelo ralo junto com a super safra de soja que estraga por falta de armazéns, o governo não dá verbas culturais para o Caetano Veloso e o Gilberto Gil financiarem shows com ingressos esgotados, no vídeo do Youtube em que uma mulher não aparece cagando no meio da praia de Boa Viagem a água não traz junto do trôço um cadáver sem identificação, Congonhas não voltou à sobrecarga que causou o acidente de 2007, o Brasil não tem 20 milhões de analfabetos completos, ninguém que a gente conhece está desempregado, a ciclovia de São Paulo não funciona por apenas 5 horas na manhã de domingo para não atrapalhar o trânsito, a gripe suína não matou mais de 500, UFA!, que bom que encontraram o Belchior.

Acho que era isso que vinha tirando o meu sono.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Aos donos dos blogs que aparecem na coluna aqui da direita.

Logo abaixo da lista de posts, tem uma coluna que se chama Minha Lista de Blogs.

Era mais extensa, mas eu andei limando vários, incluindo de amigos, por absoluta falta de atualização. Os que permanecem na lista são os que se mantém atualizados ou me interessaram tanto, por uma razão ou outra, que eu dei uma colher de chá.

Já escrevi aqui que blogs são como cachorros: as pessoas pegam um porque é bacana, é legal no começo. Mas aí começa a dar trabalho, e logo o bicho é abandonado, fica por aí com as costelas aparecendo, cheio de sarna.

Tem gente que acha, como diz a campanha daquela ração que eu não me lembro o nome, que cachorro é tudo de bom. Eu acho blog tudo de bom. E quando eu vejo um blog sem atualização desde julho, como o No Donnuts, acho uma desumanidade com o pobre do bichinho. Ainda mais quando lembro que ele tem 4 ou 5 donos desnaturados. Está na hora de vocês se coçarem, galera (para continuar com a analogia canina).

Não abandonem seus blogs. Atualizem. Eu leio.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Bai pipou.

E a menina cometeu o crime mais violento que existe. Suicídio.

Suicídio é tirar a vida de alguém que você conheceu desde sempre, que estava lá desde o primeiro instante, desde a sua concepção. É aquela pessoa que olhou de volta todas as vezes que você mirou um espelho ou o mostrador de uma camera digital.

Por isso é chamado de gesto extremo. Lembro da primeira vez que fui tocado por esse assunto, uma edição da revista Colors. Tinha várias cartas de suicídio reproduzidas, e me perturbou profundamente perceber a calma que as pessoas deixaram transparecer em cada uma delas.

A menina não deixou carta, escreveu uma mensagem de despedida no Twitter. É tão assustadoramente incompreensível em seu tom, quase bem humorado: Bai pipou. Foi bom brincar com vocês.

Não a estou julgando, por não conhecer que doenças do corpo ou da alma podem tê-la afligido. Falo apenas da tétrica mensagem e seu trágico contexto.

"É a mesma coisa, ué. Só que na versão moderna", me explicaram os jovens ao redor.

Não é. A carta seria encontrada após o fato consumado. Para não deixar totalmente sem explicação os que ficaram para lidar com o vazio.

Já o tweet precisa ser escrito antes, e é recebido antes. Em vez de ser uma explicação, é um aviso. É recebido por dezenas, centenas de followers. E esses, ainda que superficialmente, conhecem o autor do tweet.

O suicida para mim sempre foi alguém que ao chegar no auge da solidão, desesperou-se. A menina desesperou-se mesmo estando cercada por dezenas de pessoas.

Me fez entender as pessoas menos do que antes. E definitivamente anulou qualquer compreensão minha sobre o propósito do Twitter.


Born Ruffians

Trio de canadenses, liderados por um tal Luke Lalond que é os cornos do Bob Dylan quando jovem.

Eu os descobri de um jeito absolutamente cibernético: desembarcaria em NY dali dez dias. Entrei no site do Mercury Lounge, vi quem tocaria lá durante minha estada, baixei umas 5 músicas de cada banda e saí comprando ingressos.

Born Ruffians foi o melhor. É como se fosse um Bright Eyes não-deprimido: som quase cru, meio folk em algumas músicas, e se apoia bastante na voz estridente do vocalista. No palco ele chega a usar um microfone abafado, desses com nariz de palhaço, para criar uns efeitos de coro muito interessantes. Sua voz é o ponto focal da banda, tem muito alcance para cima e para baixo também, como em Red, Yellow and Blue.

Me parece mais uma vitória da nova música, pós-consolidação do mp3. Essa nova música é feita por gente competente, muito mais esperta do que os caras que construíram o rock na base da rebeldia, talento e inconsequência. Essa nova geração é mais antenada com o lado profissional da atividade, porque puderam copiar os acertos e pular os erros de quem veio antes. Mais ainda, sabem que para aparecer no meio dos milhões de bandas do myspace e da Last FM não tem outro jeito que não tocar muito na hora do show.

Born Ruffians é uma bandinha bem interessante. Quando aparecer no Nokia Trends ou em algum outro desses festivais que apresentam a penúltima palavra em música indie, lembre-se: você viu primeiro aqui.

Born Ruffians, I Need a Life.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Idéias que eu preciso patentear, número 32.

Xiiii em spray®.

Uma lata de spray tipo Bom Ar, chamado Xiiii.

Para ser usada quando acontece uma cagada no trabalho, ou em casa, e fica aquele silêncio horrível. Você então pega a lata de Xiiii em spray® e borrifa um pouco, para quebrar o gelo.

domingo, 23 de agosto de 2009

RRRRRRRRRRRRRRubens Barrichello.

O legal de ver o Rubinho ganhar na F1 é que ele fica com a mesma cara que a gente, de quem não está acreditando.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

No fio do bigode.

Apesar dos protestos, apesar da indignação, apesar da cobertura extensiva feita pela imprensa, Sarney saiu-se bem da confa. Assim como todos os outros Senadores com suas passagens aéreas, seus celulares de milhares de reais mensais e seus funcionários fantasmas.

Aí leio: Mercadante vai esperar conversa com Lula para confirmar renúncia.

Me deu uma brisa de contentamento. Então quer dizer que o cara em quem eu votei ficou tão indignado que não quer mais fazer parte daquela sujeirada toda? Uau! Na atual conjuntura dá mais orgulho cívico e senso democrático ficar sem representante do que ser tão pessimamente representado.

Mas não é assim.

Ele renunciou ao cargo de líder do partido no Senado. Não ao salário de 20 milhas, nem às verbas compensatórias e complementares, nem ao resto todo. Porque uma coisa é ter escrúpulos e vergonha na cara, outra é ter escrúpulos e vergonha na cara e ainda por cima ter de trabalhar que nem os otários aqui.

O bigode problemático, ao fim e ao cabo, não é só o do Sarney.

E o que é que se pode fazer? Que tal você se vingar nas urnas? Nas eleições do ano que vem, eu vou fazer exatamente isso: entrego o título, assino naquele caderninho e, logo depois, cubro o mesário de porrada.


UPDATE: Não só não renunciou ao Senado, sequer renunciou ao cargo de líder do partido.

UPDATE II: Suplicy, o Didi Mocó politizado, que derreteu o cérebro com ácido nos anos 60, mostrou um cartão vermelho gigante para o Sarney. Deu quase tanta vergonha em mim quanto a bandalheira do Sarney.

Gostou da ilustra? Peça pro Nando.


Friendly Fires

Bandinha inglesa, quase que uma gripe suína indie, de tanto que se fala nos caras. 3 garotos branquinhos, com as bochechas rosadas, e um som superproduzido.

E assim, preparado, fui assistir ao show deles. Os 3 entram no palco acompanhados por dois músicos de estúdio brasileiros que eu não reconheci, mas eram dois caras meio coroas, camisas de seda largas, correntes, boininha. Old School. Um trompete e um sax alto. Os caras abriram pastas de partitura e aí eu passei a prestar bastante atenção.

Os moleques rosados são carismáticos até a última gota de suor, que já abundava ao fim da primeira música. Aliás, demorou um pouco para começar porque eles não encontravam a baqueta do tamborim. Tamborim? Banda indie inglesa? É.

O vocalista pede desculpas: "Please forgive our poor samba skills" e os meninos metem bronca, os metais metem mais bronca ainda, como se tivessem ensaiado a vida inteira com eles, e a platéia pega fogo.

Me lembrou LCD Soundsystem pela combinação prodigiosa de recursos vocais, eletrônicos e roqueiros (o baixo é 24 horas, sempre no ataque). E me lembrou Hercules & Love Affair pela esquisitice de combinar isso tudo com samba e arranjos de metais bem brazucas.

Bom som.

Friendly Fires, Kiss of Life.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Pequena reflexão sobre chefes II.

Não é que eu tenha problema com autoridade. É que meus chefes são sempre uns merdas.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Pequena reflexão sobre leitores.

Tem pessoas que escrevem blogs e exigem que, para deixar um comentário, o leitor digite um código, ou o email ou o nome ou sei lá o quê mais.

Admiro essas pessoas. Porque eu estou pensando em oferecer 1 real para cada leitor que aparecer.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

A vida dura das celebridades, apesar da flacidez.


Essa saiu daqui.






E essa saiu aqui.


Uma vez assisti a uma entrevista com Jim Carrey, aquele exageradamente histriônico ator de porcarias como O Pentelho e O Mentiroso, e de ótimos filmes como O Show de Truman e Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças. Perguntado sobre o que achava dos paparazzi, ele respondeu que entendia que era tudo parte do jogo. Até aí nada de mais. Mas ele foi fundo na resposta: lembrou que os donos dos jornais que mais publicam esse tipo de foto, assim como dos canais que mais mostram escândalos envolvendo celebridades, também são os donos dos estúdios de cinema.

Ou seja: a mesma empresa que constrói, destrói. Porque lucra com esse giro da engrenagem.

Isso me pareceu uma observação muito aguda sobre o mundo do entretenimento. E hoje, no meio do ócio, eu dei com as duas chamadas acima na internet. Juliana Paes é o assunto de ambas. Ela mesma, que ontem foi incensada no Domingão do Faustão como uma das maiores atrizes brasileiras na história, cuja participação nessa novela da Índia é praticamente serviço público, dada a enorme contribuição cultural que nos oferece.

A primeira foto aparece numa manchete sobre celulite. A segunda, numa manchete sobre o corpão dela. E as duas matérias estão no Globo.com, da mesma Globo que apresenta a novela das Índias e o Faustão.

Tomara que a Juliana Paes não acesse a internet hoje.

Mulher samambaia saiu da fazenda.

É um update do post anterior: agora eu entendi porque o MST estava protestando na Paulista.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Manifestação do MST.



Ouço no rádio que daqui a pouco o MST vai parar a Avenida Paulista em manifestação.

Pelo quê, não sei. Não posso imaginar que isso tenha algum objetivo. Se é o movimento dos Sem Terra, a lógica é que eles manifestem para ganhar terras. Mas parando a Paulista, e por consequência, criando mais uma sexta-feira de caos no trânsito de São Paulo, eles acham que vão conseguir terras?

Greves, paralisações e essas coisas funcionam porque há contrapartida. Se param os motoristas de ônibus, os professores ou até, sei lá, os técnicos em prótese dental, o resto da humanidade escuta, porque precisa que eles voltem ao trabalho.

Mas só o MST precisa do MST. Se eles resolvem parar de fazer o que fazem, que é invadir terras para obrigar a reforma agrária (sou apolítico nessa questão, veja bem), os donos da terra acham é bão (porque os donos de terra falam assim, veja bem). Porém vindo até aqui, até o centro de São Paulo, para fazer reivindicações, e ainda por cima causando congestionamento, o MST não conseguirá nada. Só antipatia ainda maior à que já tem nesse país de apolíticos.

Como se a CET não bastasse, agora temos o MST para nos preocupar.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Pequena reflexão sobre relacionamentos.

Hoje eu pego ela de jeito. Vou mostrar pra ela em quem é que ela manda.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Jogo ruim e Fatal Surf.

Certa feita levantei uma teoria aqui, de que jogo que tem placa de patrocínio da Fatal Surf é jogo ruim.

Brasil X Estônia. Adivinha quem tá.



A teoria.

Então é isso.

Após um breve hiato, estou de volta a um emprego.

Estranhamente, o alívio é maior para os meus amigos do que para mim. De alguma forma que eu não consigo comprender, eu recuperei uma condição de normalidade que o desemprego havia me tomado. Acho que muitos deles tinham medo de eu cumprir a ameaça de virar o Grande Lebowski.

Nesses 6 meses em que eu tive tempo para pensar na vida, no mundo e principalmente na poeirinha que tinha dentro do meu umbigo, cheguei a conclusão que há muita coisa para fazer com o tempo livre. Me mantive ocupado, para horror da minha mãe, por exemplo, com coisas etéreas como cursos de filosofia e cinema, exposições gratuitas. Escrevi um livro, escrevi gratuitamente textos encomendados.

Estava contente como só estive em períodos de férias. Aliás, descobri que essa é a minha maior aptidão profissional: tirar férias. Um monte de caras trabalham mais e melhor que eu. Mas em férias, dou um pau em qualquer um. Eu de férias sou genial.

Enfim voltei, mas não capitulei. Espero fazer esse lance render um colchão de garoupas e onças pintadas, onde rolarei feliz feito Tio Patinhas dentro de um ano. Tá bem, tá bem: uma esteira de garoupas e onças pintadas.

E aí voltarei a pensar na vida, no mundo, e na poeirinha que estiver dentro do meu umbigo.

Porque trabalhar dá um trabalho miserável.

sábado, 8 de agosto de 2009

Damn.

Estamos na situação de uma criança que entra em uma enorme biblioteca cheia de livros escritos em muitas línguas. A criança sabe que alguém escreveu aqueles livros, mas não sabe como. Não entende os idiomas nos quais eles foram escritos. Suspeita vagamente que os livros estão arranjados em uma ordem misteriosa, que ela não compreende. Isso, me parece, é a atitude dos seres humanos, até dos mais inteligentes, em relação a Deus. Vemos o universo maravilhosamente arranjado e obedecendo a certas leis, mas compreendemos essas leis apenas vagamente.

http://msnbcmedia3.msn.com/j/msnbc/Components/Photos/z_Projects_in_progress/050418_Einstein/050405_einstein_tongue.widec.jpg

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Maldade detectada em "A Era do Gelo 3".

Tem uma cena em que um filhote de hipopótamo, bem gordinho, é arremessado por metros e metros. A mãe se desespera e grita o nome do filho, repetidas vezes. Qual é o nome do hipopótamo gordinho?

Ronaldo.

Sacanagem.

Caderno de Saramago.

Caiu em minhas mãos um livro com os textos do blog do José Saramago.

Depois de tantos anos em dúvida se um de seus livros dava filme (óbvio que dava), até que ele foi rápido para descobrir que seu blog dava livro.

Se você tem um blog, leia o dele, seu verme.

Sinta-se, como eu, pequeno, diante de tanta precisão. Fica provado que o cara escreve livros daquele jeito duríssimo, cheio de pontuação e parágrafos intermináveis, porque quer. No blog ele é sucinto como o Romário dentro da pequena área.

E os temas? A idade da mentira em que Bush lançou o mundo; Obama enquanto revanche por Martin Luther King; A vulgaridade bilionária de Berlusconi.

Decidi que faria deste meu modesto espaço um posto avançado de observação do mundo. Trataria dos temas pesados que Saramago trata. Sem a superficialidade e a tentativa, quase sempre mal-sucedida, de ser engraçado.

Aí eu passei de carro diante de uma pichação aqui perto. E percebi de um soco o quanto eu não entendo o mundo para poder dar pitacos sobre ele.

A pichação diz "Terror Anal". Explica essa, José.


O blog do Saramago.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Café Donuts.

Café Donuts é um aprazível comedouro aqui do bairro. Serve um multifacetado e eclético menu, 24 horas por dia, nos moldes de um diner norte-americano.

Espero meu espresso contemplando o casal na mesa ao lado. Ele, perto dos quarenta, elegante e bem-sucedido. Ela vinte e poucos, gatinha, saltitante. Deram uma escapada do escritório e, como diria minha mãe, aí tem.

A garçonete lhes anota os pedidos. Para ele, café. Para ela idem:
- O mini-donut é de quê?
- Hein?
- O mini-donut que acompanha o café...
- Ah, eu não quero.

A garçonete se dirige ao homem:
- Você vai querer comer o donut dela?

O homem responde:
- Se ela deixar...

E ri, alto. A gatinha ri alto também. A garçonete apenas anota, rilhando discretamente os dentes. Deve estar amaldiçoando, milésima vez no dia, trabalhar num lugar tão propenso aos trocadilhos.

sábado, 1 de agosto de 2009

Pequena reflexão sobre Deus II - A revanche.

Fui fechar o porta malas do carro e vi um emblema colado, que não fui eu que colou. Plástico imitando cromo, ótima qualidade, igual às letrinhas de fábrica com o nome do carro (TOUAREG, caso você esteja se perguntando).

Mas nesse emblema que apareceu estava escrito JESUS TE AMA.

Arranquei, e foi difícil porque estava bem colado, dando risada com a piada. Tive na hora a certeza de quem o teria colocado ali, porque é um amigo que vive fazendo esse tipo de gracinhas.

Só que acabo de me tocar: talvez tenha estragado um milagre. O tal amigo é sério com coisas de religião, com isso não brincaria. Teria colado um "nóis capota mais num breca" ou um daqueles casais de ETs fazendo 69. Mas não Jesus te ama.

Tem gente que viu a Virgem Maria numa torrada, Jesus refletido na vidraça.

Eu posso ter visto Deus na tampa do porta-malas. Mas ha hora não enxerguei.

Poeminha autobiográfico.

Uma morte por um nascer.
Dor que deu lugar à calma.
Aflição que logo será surpresa
pela sabedoria que eu não supunha:
Embaixo da unha que caiu
Já tinha outra unha.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

29 de julho, dia triste.

Nesse dia que o quarteto mais importante do mundo perdia seu membro mais carismático.

Tudo bem que eles já não se apresentassem juntos havia anos.
Tudo bem que, depois de batalhar desde a década de 60 para fazer sucesso, os caras já nem se falassem.
Tudo bem que três deles tivessem rompido com o quarto, motivados por brigas na divisão de lucros.

Mas todo mundo nutria esperanças de que um dia eles voltassem, para revolucionar a cultura pop como faziam todos os anos. Sua morte decretou o fim dessas esperanças.

Num 29 de julho morria Mussum.

http://musicmaven.files.wordpress.com/2007/06/little_richard-beatles.jpg

domingo, 26 de julho de 2009

Pequena reflexão sobre Deus.

Deixo o apartamento em que vim passar a semana com meus amigos, de frente para a praia. Já são cinco dias de bebedeiras e outros excessos. Encontro com três, quatro deles na calçada do prédio, em estado de euforia total.

Um deles me explica o motivo, olhos de doidão. Outro deles, de quem esqueço o nome, havia atirado o maço de Marlboro de um lado a outro da rua, e o maço aterrisou exatamente sobre a mureta da praia. A mureta tem quinze centímetros, se tanto.

Nesse exato momento o mesmo cara repete o arremesso. O maço aterrisa exatamente sobre a mureta, de novo, pela segunda vez consecutiva.

A comemoração é epifânica. Gritamos e nos abraçamos, bêbados e histéricos.
Na certeza que, apesar do esquisitíssimo senso de humor, Deus existe.

E se?

O Rubinho tiver largado a mola de propósito?
Pronto, falei.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Twitter?

Depois de ouvir muito, mas muito, falar sobre o twitter, depois de um sujeito numa reunião apresentar o twitter como ferramenta de atualização corporativa dinâmica, depois de descobrir que o Mauricio de Sousa fica reclamando contra o despejo do Parque da Mônica pelo twitter, enfim, depois de todo mundo entrar no twitter, eu resolvi dar uma espiada para entender do que se trata.

É assim: você agora pode informar ao mundo, um seguidor por vez, em até 150 palavras e um monte de erros de ortografia, que está indo cortar o cabelo.

Ou seja, o twitter é uma criação da indústria farmacêutica, para aumentar a venda de drogas anti-depressivas. Porque agora eu sei que não há esperança: a vida de todo mundo é tão merda quanto a minha. Pior até, porque eu pelo menos sei escrever português.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Porque Ronaldo está no Corinthians.

Já ouvi de fontes críveis que em primeiro lugar foi uma imposição da Nike. De fato Ronaldo preferia o Flamengo, mas os contra da marca americana foram definitivos - até porque o time carioca só esperava terminar um contrato para mudar de fornecedor, fechando com a Olympikus.

Para superar a perda, o Flamengo trouxe Adriano. Bom de bola, mas ruim das bolas, começou a faltar a treinos por causa das baladas que nem faz questão de disfarçar. Conta com a leniência de um sistema de autoridade falido e corrompido por décadas e décadas de problemas. Quem no Flamengo vai constestar Adriano?

Tivesse o Ronaldo decidido pelo Flamengo, capaz até que o rompimento com a Nike fosse revertido. Mas ele deve ter percebido que a bagunça do Rio poderia lhe bagunçar a cabeça, e que a bagunça do Flamengo poderia lhe bagunçar os negócios. Preferiu não só o Corinthians, mas também o futebol de São Paulo. Não dá para questionar que ele está cumprindo tudo que prometeu, e em troca desfruta de um prestígio que nunca tinha experimentado no Brasil. Ameaçou, logo no começo, uma recaída à la Adriano - num jogo em Presidente Prudente ele tentou subir bêbado para o quarto do hotel com uma prostituta, armou um barraco. Mas foi enquadrado, botou o galho dentro e não mais se ouviu falar de arroubos dele, por mais que a imprensa esteja marcando em cima.

Já o Adriano pode tudo. A última que eu soube: a Olympikus fez uma promoção em que a torcida votou para escolher com que camisa ele iria jogar. Venceu o número 9, anunciado com estardalhaço, milhares de camisas confeccionadas e postas à venda. Adriano desfilou com a camisa, jogou e marcou gols com ela. Mas aí decidiu que não: prefere a 10. E com a 10 ficou. As camisas 9 já vendidas, ao preço de 149 reais, não valem mais. As que estão à venda valem menos ainda.

Mas o mais engraçado? A 10 seria do Petkovic, que voltou ao Flamengo em troca de não levar o time à Justiça do Trabalho.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

O Corinthians jogou em casa.

O Internacional jogou com o uniforme de visitante ontem, porque o Corinthians jogava em casa. Frio, implacável, racional, 4 gols de vantagem ainda no primeiro tempo, garantindo o tri-campeonato. O que restou para o Inter, depois do DVD com erros de arbitragem e chororô por causa da faixa antecipada de campeão? Apagar os refletores do estádio para impedir o Timão de dar a volta olímpica. Patético? Embaraçoso? Não: colorado. Um time que quase nunca ganha e mesmo assim não aprende a perder.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Medo de avião.

Estou sentado na sala de embarque do aeroporto, vôo 0700 da Copa Airlines para a Costa Rica.
Acabaram de passar os pilotos do meu vôo, falando um espanhol despreocupado, tranquilos e reluzentes em seus uniformes galardados. Só que os dois carregavam saquinhos com lanches do McDonald's. Os pilotos trazerem fast food à bordo diz muito sobre a qualidade da comida.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Elisbão não tem amigos.

Lendo o jornal de hoje, vi que um dos novos diretores nomeados para o Senado se chama Petrus Elisbão. Lembrei de um personagem que o Guilherme Karan (cadê, hein?) fazia no TV Pirata: um vilão bonzinho, todo deformado, que repetia o bordão que é o título deste post.

Tomara que o Elisbão não tenha amigos, para não contratá-los com o nosso dinheiro.

Pequena reflexão sobre a evolução da espécie.

Talvez os macacos sejam mais evoluídos que os humanos, ao contrário do que sempre se pensou. Porque os pés deles são duas mãos. Ou seja: eles podem usar 4 blackberrys simultaneamente.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Aos amigos são-paulinos.

Quando o único jogador que demonstra ter culhões é o Richarlyson, é para se preocupar.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Quer se irritar hoje?

Pegue um envelope pardo, levante a aba, encoste na pelezinha entre o dedão e o indicador. Mova o envelope para baixo com toda força: vai cortar e arder muito.

Faça se você quiser se irritar. Agora se quiser se irritar irracionalmente, virar bicho: assista ao Bem, Amigos do Galvão Bueno, especialmente da África do Sul hoje à noite.

Com o Brasil ganhando bem dos EUA, o Galva vai estar com a periquita em chamas. Ele babava no microfone falando do Maicon, do RRRRRRobinho e do RRRRRRRamires.

E esse jogo eu duvido que o Ronaldo tenha acordado cedo para assistir.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Conselho de Mulher, de Adoniran Barbosa.

Progresso, progresso.
Eu sempre escutei falar, que o progresso vem do trabalho.
Então amanhã cedo, nós vai trabalhar.
Quanto tempo nós perdeu na boemia.
Sambando noite e dia, cortando uma rama sem parar.
Agora, escutando o conselho da mulher.
Amanhã vou trabalhar, se Deus quiser...
Amanhã vou trabalhar, se Deus quiser...
Amanhã vou trabalhar, se Deus quiser...
Mas Deus não quer!

Se Ele não quer, não sou eu que vou desobedecer.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Êêê, Gordo.



Tá na Globo.com hoje:
"Para o atacante Ronaldo, apesar do gol da vitória ter saído apenas aos 45 minutos do segundo tempo, o time dirigido por Dunga teve um bom desempenho.
- Acordei cedo para ver. Achei ótimo. Uma ótima vitória – afirmou."

Cedo? O jogo começou às 11h da manhã.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Porque o Fluminense não ganharia ontem.



Rebaixado para a segundona em 1996, foi salvo por uma manobra política da CBF e manteve-se na elite. Caiu outra vez em 1997 e, sem ajuda de ninguém, foi rebaixado mais uma vez, agora para a terceirona. Em 1999 outra virada de mesa, e o tricolor das laranjeiras voltou direto para a primeira divisão. A partir daí, do que é feita a história do "nense"? Uma Copa do Brasil, uma taça Rio, que cá entre nós é um título inexpressivo por representar apenas um turno de um campeonato fraco (há décadas os 4 grandes do RJ não têm brilhado simultaneamente, diferentemente do que acontece em São Paulo: nos últimos 5 anos, os 4 grandes se alternaram como campeões). E um monte, mas um monte enorme de vice-campeonatos.

Ok, você pode argumentar, ser vice só é visto como desgraça para o exigente torcedor brasileiro. Mostra uma certa consistência estar sempre chegando às finais. Mas aí, nessa incapacidade de vencer, está a raiz do problema laranjeiro: existe um código de honra futebolístico que o Fluminense desrespeita sempre.

Durante todo o jogo de ontem alguém na torcida iluminava com uma lanterna de raio laser o rosto do goleiro do Corinthians, do técnico, do juiz, para tentar atrapalhar o jogo. Em meus 65 anos acompanhando futebol, só coisa tão ridícula feita por torcedores do outro tricolor, o bambi, tão execrável quanto isso. Como na época o Fluminense exigiu punições ao São Paulo, resta esperar ver se o time de coração da CBF será punido.

Outro exemplo: o time perdendo por 2X0, ouve-se uma comemoração intensa. Não chegava a ser como a de um pênalti marcado, mas cheguei a pensar em cartão vermelho para um corintiano, em lance fora do jogo, tamanha a gritaria. Não, era felicidade por um gol do Inter em cima do Flamengo.

Imagine o seu time perdendo em casa por 2X0, precisando buscar 4 gols. Sai gol num jogo a 800 km de distância, contra o seu arqui-rival. Você comemora como se fosse alguma vantagem? Pois é: os fluminenses comemoram.

De tanto comemorar as derrotas dos outros, de tanto colocar laser na cara dos adversários, de tanto usar e abusar dos conchavos políticos para não cumprir regulamentos, eu acredito que o Fluminense seja o merecedor da ira dos deuses do futebol. Vai ser eterno vice. Por mais que alguns poucos torcedores sinceros chorem e se envergonhem, a bola não perdoa falta de caráter.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Em passos largos, rumo ao esquecimento.



Eu gosto de escrever, gosto de beber, gosto de belas mulheres e gosto de Charles Bukowski. Decidi que vou começar a apostar nas corridas de cavalo até meu dinheiro acabar, como ele fazia. Quem sabe assim deixo para a posteridade bons livros em vez de reclames terríveis.

sábado, 9 de maio de 2009

Clube da Luta.

Foi um dos melhores filmes que eu vi na vida. Tyler Durden, brilhante personagem. Tudo isso por quê?
Porque eu pensei numa tarefa para o estilo de terrorismo dos caras no filme.

Na próxima edição do Dicionário de Dualibi de citações, um cara conseguir acrescentar no texto uma frase assim:
"O Duabili roubou a minha idéia, meu ganha-pão e está enchendo o cu de grana."
Ruy Castro, autor do livro "O Melhor do Mau Humor."

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Sargento Gomes.



Eram mais de 10 da noite de uma terça-feira e eu seguia ligeiro na direção do Guarujá, pensando nas ondas da manhã seguinte. Eu mais uns amigos iríamos dormir numa pousadinha mequetrefe na Praia do Tombo, para acordarmos as 5 e surfar até umas 8 da matina - para quem não é do metier surfístico, um BV, bate e volta.Enfim.

Enfim que o guarda sinalizou e eu encostei. Lanterna na cara, ilumina o interior do carro: 3 caras, pranchas. Ele mete a cabeça dentro do carro e dá uma cafungada, tentando identificar cheiros ilegais. Nada feito, pede documentos, analisa cuidadosamente, vai até a viatura, volta.
"Dá para o senhor descer do carro?"

Desço. É para abrir o porta-malas, pois não, abro. Ele dá uma fuçada nas coisas, manda fechar, me chama até a viatura. A minha sensação é a de que estou para cair em algum golpe, porque os movimentos dele são esquivos, ele fala meio baixo comigo.
"Chega aqui na viatura. Rapidinho..."

Assino numa tabela, ao lado dos dados do meu carro, e ele me explica.
"A gente tem que anotar os carros que paramos. É para mostrar serviço."

E aí entra no assunto que explica toda a esquisitice de suas atitudes.
"Você conhece uma marca que chama Rip Curl?"
"Conheço..."
"É boa, né?"
"Boa, sim."
"Então... meu irmão mora nos Estados Unidos, me mandou um relógio da Rip Curl de presente. Na verdade mandou dois. Titânio, bonito pacas... Mas eu não uso, já tenho relógio. E como eu tô querendo fazer uma reforma lá em casa, tô aí tentando vender. Quer dar uma olhada?"

Dou uma olhada ao redor. São quase 11 da noite, estou no acostamento escuro de uma rodovia federal, por onde os carros passam a muitos quilômetros por hora. Meus documentos estão com o guarda, meus amigos estão dentro do carro sem saber o que se passa. Eu estou aqui fora, mas também não sei o que se passa. O guarda avança para o porta-malas do carro de polícia.

Ele tira um saco preto lá de dentro, e de dentro do saco preto um relógio. Entrega para mim.
"Vale 3 mil na loja. Eu tô pedindo um e meio."

Ele não se deixa abalar pela minha cara de espanto. Pelo jeito que eu olho para os carros passando velozmente, talvez imaginando que estou sendo multado, punido, até achacado, mas nunca isso: que eu estou diante da imperdível barganha de um Rip Curl titânio, vindo dos EUA, pela metade do preço. E que estupidamente vou deixar passar.

"Você não conhece ninguém que esteja afins de um relógio? É um puta relógião, olha aí..."

Não, não conheço. Pelo menos agora, assim, não me lembro. Ele me diz que, caso alguém queira, é só procurá-lo, tem outras mercadorias.
"E como faz para encontrar o senhor? Faz alguma barbeiragem para ser parado?"

Ele não acha graça:
"Claro que não. Para e pede para um colega me chamar no rádio que eu venho de viatura."

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Pequena reflexão sobre o jogo aéreo.

O São Paulo apostou no jogo aéreo e se deu mal.
Tomara que com o Congresso aconteça o mesmo.

Felizes para sempre.

- Tem uma coisa que eu preciso te falar...
- Pode falar, gata. Mas primeiro me dá um beijo, vai.
- É... é uma coisa meio chata...

Ele toma um longo gole do chopp, limpa o bigode, olha sério para ela. Haviam se conhecido há 4 dias, mas tinham passado as 3 últimas noites juntos, ora na casa dela, ora na dele.

Portanto não era casada. Gravidez? Pô, em 3 dias não teria dado tempo - pensou ele - não sou coelho.
- Fala, gata...

Doença venérea? Filha da puta. Agora estava não apenas sério, mas preocupado.

O que só aumentou o desconforto dela, o rosto coberto pelas duas mãos. Abriu um pouquinho os dedos, numa treliça, olhou nos olhos dele, disse baixinho:
- Até 3 semanas atrás eu estava vivendo com uma mulher. Uma companheira. Durou 6 meses, eu estava me descobrindo...

O alívio dele foi gigantesco. Só comparável ao dela quando ouviu a resposta, após mais um gole no chopp:
- Eu entendo perfeitamente você gostar de mulher. Eu também gosto muito.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Pequena reflexão sobre a exceção.

Exceção deveria ser escrito com dois esses.
Excessão. Porque toda vez que eu abro uma exceção e bebo num dia de semana, vira um excesso gigantesco.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Pequena reflexão sobre o BBB9.

O Max ganhou o BBB e ficou milionário com mais de 20 milhões de votos.
O Jáder, o Renan, o Sarney, o Collor ganharam mais dinheiro e com muito menos votos.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

O Macunaimismo.



O Angeli falou tudo. Mas na sequência da charge na página Editorial da Folha de SP tem um texto brilhante de um Fernando de Barros e Silva (se é da Silva, é peão, se é e Silva é das elite) que assusta. A consagração de Lula, e por consequência, a do Brasil, não se deve por nada que não a absoluta falta de perspectivas no mundo. Todos os líderes falharam, os ricos estão de quatro. Só sobra o Lula, com sua falta de assunto carismática e o Brasil, com o seu futuro que nunca se concretiza.

Eu admiro sinceramente o brasileiro Lula. Acho-o um presidente ridículo, como acho todos os que o Brasil foi capaz de produzir. Sim, o FHC também. Porque ele, com toda aquela pompa e filosofia, nunca conseguiu sentar do lado da rainha. Mas o que são os presidentes senão a amostra do povo de um país? No nosso caso, só confirma, eleição após eleição, aquela piadinha: Deus fazendo o Brasil, caprichando em tudo, sem terremoto, clima favorável, rios, solos para a agricultura, minérios e riqueza de toda as espécie. Aí um santo a seu lado pergunta se aquilo não é injusto com o resto do planeta. E Ele responde "Espera pra ver o povinho que eu vou botar aqui". O Lula, pelo menos, não finge.

O Veríssimo também baixou o porrete no sucesso do Lula na reunião do G20, seguindo mais ou menos a lógica dos dois que citei acima. Lula se dá bem usando o jeitinho brasileiro em vez de conhecimento ou ideias. É o fuhrer do Macunaimismo.

Macunaimismo: sistema de pensamento político brasileiro que pode dominar o mundo. Está embutido nos genes de quem nasce nessa terra, assusta e fascina gringos desde os tempos mais remotos. O Macunaimismo tem como lema "Peraí, calma, vamos conversar...".

Consiste da capacidade de burlar regras e doutrinas, de subverter a lógica em proveito próprio, de sonegar o máximo de impostos e colher o máximo de benefícios. De reclamar sempre dos outros, de modo tão agudo, que nossas incapacidades desaparecem perto do erro alheio. E acima de tudo, consiste de uma enorme habilidade para delegar trabalho. Não por acaso a importância que os imigrantes europeus tiveram para o desenvolvimento de São Paulo e do país. Acabou a escravidão e o Brasil enfrentava problemas, pois ninguém queria pegar na enxada. O Império decidiu importar fazendeiros italianos, alemães e japoneses a rodo, para que nós tivéssemos o que comer. E os europeus vinham, assombrados diante do conflito permanente entre a exuberância e a mesquinharia dessa gente. Preguiçosa como nenhuma outra, generosa às vezes e incrivelmente tenaz sempre que uma vantagem aparecia no horizonte.

Se o Brasil aproveitar esse momento de crise mundial para globalizar o jeitinho brasileiro, exportá-lo para a OMC, para o G20 e até para a Faixa de Gaza, não vamos só nos consolidar como líderes globais: vamos encher o rabo de dinheiro. Lula, herói do Brasil, pode ser o cara certo para colocar em prática essa nova doutrina.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Rubinho, 2º maior loser de toda a história.

"Rubens Barrichello perderá cinco posições no grid de largada do GP da Malásia, este domingo.

O brasileiro da Brawn GP foi obrigado a trocar a caixa de câmbio do seu carro depois dos treinos de sexta-feira.

Mesmo sem nenhum aparente problema durante os primeiros ensaios, a equipe sensação da temporada optou por trocar o ítem, e o regulamento diz que caixa de câmbio tem que durar pelo menos 4 corridas."

Acabei de ler no globo.com, e resolvi dedicar minha solidariedade e simpatia ao Rubens Barrichello, o 2º maior loser de toda a história da humanidade. Não sei quem é o primeiro, mas com certeza nem nisso o Rubinho consegue ser o melhor.




quarta-feira, 1 de abril de 2009

Acordei num mal humor dos infernos.

- O Lutador: o Mickey Rourke começa a passar mal na última luta, mas não desiste. O filme termina sugerindo que ele morre no ringue.

- Marley & Eu: o Marley morre no fim, tem que ser sacrificado no veterinário por causa de um nó nas tripas.

- Gomorra: os dois carinhas, os dois jovens mafiosos, morrem numa emboscada típica de filme de máfia, comandada pelo chefe deles, o gordo de Barba que eles sacaneiam o filme inteiro.

- Milk: o Sean Penn, termina o filme levando vários tiros do personagem feito pelo Josh Brolin. O Diego Luna se mata por enforcamento.

Brolin, aliás, fez o papel principal no filme " Onde Os Fracos Não Tem Vez" dos irmão Coen por engano. Eles queriam o pai do cara, James Brolin, mas por um erro da empresa de casting, que contacta e contrata os atores antes deles falarem com os diretores, não puderam voltar atrás. Não era para ser um filme de época como foi, mas como era fundamental que o personagem fosse ex-veterano do Vietnã, tiveram que ambientar a história como se fossem 5 anos depois da guerra. Assim dava para aceitar a idade do cara. Tentaram trocar o Tommy Lee Jones, para os dois principais terem a mesma idade, mas não rolou tampouco.
Nessas, do filme virar um filme de época, bagunçaram tudo e por isso, acho, o final é tão confuso e cheio de pontas soltas.


- Planeta dos Macacos: no original, caso alguém ainda não tenha visto, o Charlton Heston é um astronauta, e a nave dele cai num buraco negro. Quando sai, ele cai num planeta estranho onde quem manda são macacos, e os seres humanos são escravos. O cara passa o filme todo tentando chegar à sua nave para poder voltar para a Terra. Aí chega numa praia e vê a cabeça da Estátua da Liberdade destruída. Ou seja: aquilo é a Terra, o buraco negro fez ele viajar para um futuro onde a evolução mudou de rumo.

Sorte sua que eu tenho ido pouco ao cinema, senão estragava mais filmes.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Pequena reflexão sobre ex-chefes.

Não é que o nosso santo não batia. Batia de frente.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Pfizer.

Dois amigos estão conversando. Um deles está empolgado:
- Velho, eu descobri um negócio genial hoje. GE-NI-AL!

- Fala, porra.

- A Pfizer, que fabrica o Viagra, também fabrica o Rogaine!!!

- Roguêin?

- É, um remédio para não ficar careca. Cara, a mesma empresa, o mesmo laboratório! Será que uma coisa tem a ver com a outra, tipo, eles fizeram pesquisa com os ratinhos para entender porque os que ficavam carecas não broxavam, e os que broxavam eram cabeludos?

- Caralho...

- Ué, né não? Como é que a mesma empresa vai assim, sem mais nem menos, ir atrás das duas coisas mais importantes na vida do homem? Deve ter identificado algum hormônio sem querer, ué. Sei lá. Tô viajando?

- Não...

Pequena pausa. O outro amigo, o menos empolgado, pergunta:

- Como é que você descobriu que a Pfizer fabrica as duas coisas?

- Pois é.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Pequena reflexão sobre a certeza.

Assim como ter esperteza nem sempre quer dizer ser esperto, ter certeza nem sempre quer dizer estar certo.

Inveja do Leo.

Cada vez que eu leio no jornal sobre o Brasil, sinto inveja do meu amigo Leo.

Ele é superior na função que realiza na empresa, um trator mesmo. Trabalha 12 horas por dia e nunca fica cansado. Trabalhamos juntos no passado, estamos trabalhando juntos novamente 5 anos depois, e vejo que ele está igualzinho: absolutamente alienado ao que acontece em Brasília.

O Leo trabalha duro como eu, talvez até mais. Ele ouve falar dos escândalos políticos, mas não se deixa abalar. Sequer muda de humor, enquanto eu acabo de ler a notícia sobre como o Senado, em 10 anos, criou 4000 empregos de assessoria para 81 senadores. Que, aliás, só trabalham de terça a quinta, segundas e sextas são para viagens aos estados natais (5 passagens mensais pagas por nós).

Assim como muitos amigos meus, o Leo não votou nas últimas eleições. Como eles, Leo está cagando para a política, para a corrupção, para os desvios. Ele acredita em defender o dele, contra tudo e contra todos, porque sabe que no Brasil políticos são eleitos não para representar eleitores, mas sim porque o voto é obrigatório.

Em suma, o Leo é como eu e os meus amigos, senão por um detalhe: ele é colombiano. Não poderia participar das eleições, nem da política, nem que quisesse. Quando eu comparo suas atitudes com as minhas e as dos meus conhecidos, percebo que nós brasileiros também tratamos o país como se não fosse nosso.

Pequena reflexão a la Euclides da Cunha.

O publicitário é, antes de tudo, um fraco.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Momento Arnaldo Antunes.

O coco
É o avesso do caroço.
Por dentro fica a carne,
Por fora fica o osso.

terça-feira, 17 de março de 2009

Clô, in memoriam.

Clô para os amigos, vil para os inimigos, do para todo mundo. Uma das primeiras piadas que eu aprendi sacaneava esta bicha louca. Agora me parece irônico que ele termine assim, com hemorragia no cérebro, num apartamento funcional em Brasília. Não que o Clô tenha tido alguma relevância para o país - sequer na minha vida ele teve, tirando essa piadinha e as risadas que ele provocava com o Pânico pegando no pé dele. Mas sua morte tem um quê de ironia.

É que nesse fim de semana assisti ao filme Milk - etc etc etc (por que é que na hora de batizar o filme no Brasil sempre botam um subtítulo completamente dispensável?). Coincidência que o primeiro político abertamente gay brasileiro vá para o saco justamente quando a gente aprende sobre a história de seu equivalente norte-americano. As diferenças ficam absolutamente nítidas: o cara de lá lutou pelos direitos dos gays, e aproveitou para mostrar uma grande capacidade de liderança, a ponto de convencer o sindicato dos motoristas de caminhão a fazer campanha por ele. O nosso político gay nunca, nunquinha, propôs algo pensando nos homossexuais brasileiros. Politicamente, a Marta Suplicy é muito mais bicha que o Clô. Ele sequer foi eleito por ser gay, já que era odiado pelo movimento por suas posições convencionais, seu mal humor de tia velha e sua incapacidade de ser simpático. E não é que ele precisasse se enrustir por causa do ambiente circunspecto do Congresso, porque além daquilo lá ser uma putaria completa, ninguém lhe faria censura por defender pontos de vista gays: ele possivelmente tenha sido o veado brasileiro mais conhecido da história.

Para mim, mostra claramente mais um dos motivos para o nosso atraso em relação aos americanos do norte. Lá uma bichona entra na política tendo por trás os interesses das outras bichonas, e desempenha seu papel tão bem que morre assassinado. Aqui a bichona entra na política somente para mamar o quanto deixarem, e morre caído no banheiro do apartamento.

O Clô se vai, vira purpurina, talvez deixe saudades. E o deputado federal Clô já vai tarde, mas deixa uma pergunta ano ar: será possível escrever sobre ele sem usar palavras de duplo sentido?

quarta-feira, 11 de março de 2009

O portifólio.

Começa que essa palavra não existe. Parece que vem do italiano portafolio, mas já virou parte do idioma. Bom, eu estou na papelaria para comprar um portifólio bacanudo, a papelaria é bem bacanuda também.

Enquanto fuço a prateleira em busca da melhor opção, o vendedor se aproxima. Não dá para ignorar o cheio do rapaz. Azedo. Mistura de roupa preta que não secou direito, com c.c. e sei lá, almoço num restaurante de picanha no rechaud. Penso que é muito desleixo o cara trabalhar num lugar assim fedendo assim.

Agradeço e dispenso a ajuda, "Vou levar esse".

Pago, vou para casa e me esqueço do portifólio até a manhã seguinte, dia da entrevista. Falta só colocar alguns materiais dentro dele e sair para o trânsito até o escritório que me espera. Assim que abro a sacola da papelaria, o cheiro horroroso de ontem me acerta no nariz. Não era o vendedor, era o portifólio.

terça-feira, 10 de março de 2009

Cinderela.

Estou num café, no shopping mais sofisticado de São Paulo: Cidade Jardim. Ao meu lado uma jovem mãe, elegantíssima, toma um espresso, tendo ao lado sua filhinha de uns 4 anos. O café fica dentro de uma livraria espetacular, enorme e muito bem recheada.

A menininha pergunta: Mãe, onde mora a Cinderela?

Eu levanto os olhos para ela. Linda a menininha, de vestidinho florido, uma versão miniatura de Cinderela.

Sinto vontade de ter uma filha menininha, que me faça perguntas assim deliciosas. Eu sorrio para as duas, porque enquanto as menininhas perguntarem onde vive a Cinderela, há esperança. Não importa o que aconteça em Darfur, ou na Coréia do Norte, ou em Guantânamo.

Mas aí vem a resposta da mãe: Na Disney, filha.

Nada de castelo encantado, de príncipe, de feliz para sempre, de sapatinho de cristal. Só a preguiça mesmo: na Disney.

E eu volto a ser o búfalo filhote, um animal que desconfia até da sombra.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Futebol sem alambrado não tem a menor graça.

Uma vez eu estava num ônibus, e vai parecer começo de piada, mas estavam num ônibus um flamenguista, um argentino e um corintiano. Estávamos no sul da França, e para tornar tudo ainda mais surrealista, os integrantes da banda Zero 7 estavam à bordo, junto com mais alguns outros passageiros de nacionalidades variadas. Vai que a conversa, obviamente, caiu para o futebol. E um inglês meio bêbado começou a se agitar, era metade do ônibus de brasileiros inteiro sacaneando ele - pô, vocês inventaram um esporte em que só a gente ganha. O Beckham não gosta da fruta. O melhor jogador que vocês tiveram usava combover.

Aí o inglês quis saber para que time nós torcíamos. O flamenguista recebeu um aceno respeitoso de cabeça. O argentino, que era Boca, mais respeito ainda. Chegou na minha vez, aí o inglês cresceu. "Então diga um jogador conhecido do Corinthians."

Rivellino, Casagrande, Rivaldo, Sócrates. No Sócrates o inglês murchou, porque qualquer inglês ama o Doutor mas muito poucos sabem que ele jogava no Corinthians. Aí ele confessou torcer para o Manchester City, que agora tem o Jô, que era júnior do Corinthians, e continua sem nenhum título.

Eu pensei nesse inglês quando o Tevez veio, e me deliciei, tentei não pensar nele quando caímos para a segundona. Mas ontem, ah, inglesinho filho da puta, chupa. Até o alambrado se ajoelhou.



PS: Ele no Galvão Bueno, sobre o fato de parecer mais gordo no jogo do que ao vivo. Galvão diz: é a televisão que engorda. Ele responde: preciso parar de comer televisão.


Eu sou fã do cara..

Mesmo..

quarta-feira, 4 de março de 2009

O filho do Costinha.


Lembro de um video que apareceu faz tempo, com o Costinha e o Zico. O Costinha, para vocês garotos que lêem o blog deste búfalo já grisalho nas têmporas, foi um comediante genial cuja grande façanha era tirar a dentadura e falar palavrões cabeludaços. No video, 80 e poucos, o Costinha está meio que entrevistando o Zico, mas na verdade aproveita a oportunidade para apresentar o maior ídolo da época para o seu filho caçula. Para o constrangimento do Costinha, quando o moleque vê o Zico, cai num estado catatônico. Só consegue balbuciar: "Eu vi o Zico". O Costinha bronqueia: "Tira foto, moleque! Abraça ele! Conversa!!!". Mas o moleque só diz, com voz fininha: "eu vi o Zico!".

Embora não flamenguista, e tendo crescido no interior de São Paulo, eu também teria ficado catatônico à época, tamanha era a nossa adoração pelo Zico. Se alguns jogadores até tiveram os méritos técnicos do cara, nenhum jamais foi tão simpático, tão simples, tão gente boa quanto ele. Até o meu pai, sujeito acima de qualquer modismo, se rendia a seu carisma.

Já adulto, o Zico já barrigudo e aposentado, fui visitar o clube mantido por ele no Recreio dos Bandeirantes, o CFZ do Rio. Fui na intenção de comprar umas camisas para dar de presente, ou até ver o cara ao vivo, sabe lá. Saí da lojinha com as camisas, em direção ao campo de treinamento. A atividade estava a pleno vapor, e dava para ver o Zico corrigindo posicionamentos, dando broncas na molecada. Fiquei no alambrado, de pé ao lado de outros tantos, assistindo. E observei alguém caminhando do banco, em nossa direção. Um negão. Na nossa nada, na minha direção, olhando direto para mim. Alguém do meu lado diz: "Ih, ó lá o Adílio..."

Adílio? E agora ele já está bem pertinho, sorrindo para mim. Ele diz: "E aí, rapaz? E seu pai, tudo certo?"

Os quinze caras ao redor estão me olhando, o Adílio está me olhando. Sou o único ali a perceber que ele está me confundindo com alguém, filho de alguém importante. Quem teria coragem de desmentir o Adílio, na frente de todo mundo?

Eu respondo: "Tuuuudo..."

Adílio: "Que é isso aí? Pô, você comprou camisa? Por que não pediu pra gente, eu te dava, pô!!! Tá autografada?"

Eu: "Não..."

Adilío: "Então peraí."

Ele se vira para o campo e dá um berro para o Zico. Chama o Zico para vir autografar as minhas camisas. Eu não imagino qual seria o valor de ter camisas autografadas pelo Zico dedicadas a uma pessoa que não eu. Pior: se ele perguntasse o meu nome, eu sequer saberia dar a resposta certa, não o nome que o Adílio estava esperando. Então fiz o que podia fazer: saí andando.

Ignorei os chamados do Adílio, que afinal ainda estava do lado de dentro do alambrado. Virei as costas para ele e para o Zico, que continuava lá longe. Dizendo fininho, para mim mesmo: "Eu vi o Adílio."

Mensagem aos amigos flamenguistas.

Ele não ficou no Flamengo porque listras horizontais engordam, verticais emagrecem.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Pequena reflexão sobre conformismo.

A vida é cheia de médios e baixos.

O engano, parte 1.

O telefone está enguiçado outra vez. Eu sei que ela já vai começar a me aborrecer. Juro, tem horas que eu não consigo lembrar porque pombas eu casei com essa sujeita. Mulher chata dos infernos, onde já se viu? Ficou pior que a cobra da mãe dela, aquela matou o marido de tanto aborrecimento. Na lua de mel eu já vi que a vaca tinha ido para o brejo, e lá se vão quantos? 30 e tantos anos? Eu merecia uma estátua de ouro. De ouro! Não quis conversa comigo na noite de núpcias, disse que o hotel tinha muito mosquito. E eu lá, com aquele apetite da juventude. Nunca foi muito chegada, essa aí. Sorte que tem a Zuleide no escritório, que me dá carinho e me entende, ah Zuzu, minha flor, minha rainha mulata.
- Zééé! O telefone tá mudo de novo, Zé!
- Eu SEEEEI! Vou ligar na companhia!
- Mas e a casa fica sem telefone? Se mexa, homem de Deus!
- EU VOU LIGAR DO ESCRITÓRIO NA SEGUNDA!!!! Mas será o Benedito, criatura?
Bato a porta de propósito, só pra ela ficar uma fera. O pessoal já deve estar lá pelo segundo chopp na Majórica, deixa eu correr.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Pequena reflexão sobre o desemprego.

Eu nunca tinha dado o devido valor ao trabalho de Tony Ramos em Caminhos do Coração.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Phelps e o bong.


Na época da Olimpíada, todo dia você lia sobre a dieta do Michael Phelps. Três sanduíches com ovo frito, queijo, alface, tomate, cebolas fritas e maionese no café. Em seguida, duas xícaras de café e um omelete de 5 ovos, uma tigela de cereal, três fatias de torrada com açúcar e três panquecas de chocolate. No almoço, meio quilo de macarrão e dois sanduíches grandes de presunto, queijo e maionese. No jantar, uma pizza e mais meio quilo de macarrão.

E agora o mundo se espanta ao descobrir: não era só a natação que dava tanta fome.

A cidade do pecado.

A cidade foi construída no meio do deserto, estrategicamente isolada do restante do país com um único objetivo: permissividade total. Para que todos os pecados sejam praticados sem economia. Jogatina, prostituição, bebedeiras e dinheiro sujo correndo por baixo dos panos. Subornos, desvios, mãos molhadas por todos os lados. E uma gente estranha, que entra e sai dos prédios horrorosos feito autômatos, anestesiados pelo ar condicionado e pela imoralidade daquilo. Tudo é cenográfico, tudo é de mentira, para dar mais seriedade à enganação e disfarçar a realidade sórdida, que é o fato da cidade inteira ser uma arapuca para se roubar dinheiro e... Las Vegas? Que Las Vegas, estou falando de Brasília.

Pequena reflexão sobre a poluição dos oceanos.

Isso aqui enroscado nos meus dedos: alga ou alface?

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Trocas. Ou o fim de um casamento em verso.

Trocaram olhares
trocaram sorrisos
trocaram telefones
trocaram pratos
trocaram sobremesas
trocaram beijos
trocaram carícias
trocaram fluidos
trocaram juras
trocaram alianças
trocaram sobrenomes
trocaram ceps
trocaram alvarás
trocaram álibis
trocaram ironias
trocaram acusações
trocaram insultos
trocaram tapas
trocaram papéis
trocaram sobrenomes
trocaram olhares
trocaram de calçada.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Buscamos patrocinadores.

O Búfalo filhote ficou sem patrocinador. Preciso de um mecenas que pague a luz, a banda larga e o pó de café que impulsiona essa criatividade toda que vocês cinco tanto gostam. Se alguém souber de uma vaga para búfalo, tamos aí. Puxo carroça, sirvo de montaria. E, sempre que possível, sou reprodutor.

O assalto.

Vínhamos no carro, meu amigo e eu, sorridentes.

Acabamos de sair brilhantemente de uma reunião que ontem nos parecia impossível vencer. Por isso agora o trânsito flui e os sinais ficam verdes para mim. Estou distraído em pensamentos felizes, dignificado pelo trabalho, como disse o filósofo. Não percebo nada.

Meu amigo, no banco do carona, toca meu ombro. Me viro e dou de cara com os olhos dele, arregalados. Uma expressão contraída, a cara branca. Atrás dele, na janela com vidro abaixado, está o assaltante. É magro, alto, apavorante. Se os olhos arregalados do meu amigo me deixaram nervoso, os olhos arregalados do assaltante me gelam o sangue. Sinto uma pontada no fígado, que é a parte do meu corpo que acusa os golpes fortes. E me sinto tomado por uma terrível sensação de medo. Balbucio a única coisa que me vem à cabeça:
- Tudo bem...?

Ele responde, seco:
- Não.

Ele entra no carro e me obriga a acelerar. Meu amigo está falando, com mais habilidade que eu, com mais humanidade que eu. Não há humanidade nenhuma em mim agora. Dizem que é preciso ter sangue frio nessas horas mas, como disse, o meu está gelado. Sinto os pelos da barba eriçados, meus dentes estão cerrados e a raiva me paraliza. O assaltante está dizendo coisas que eu não consigo compreender. No retrovisor vejo sua boca mover-se nervosamente, as íris azuis minúsculas de seus olhos me lembram algum vilão maníaco de filme. Vontade de fazer aquela boca parar de falar, porque embora não esteja discernindo as palavras sei que elas estão me ferindo. Decido não olhar mais para ele e olho duro para frente. Deixo que meu amigo administre a conversa, que ele já passou por isso mas eu nunca.

Em algum momento, não sei precisar quanto tempo depois, o assaltante nos deixa sair e vai embora com o carro. Seguimos em silêncio, estraçalhados. Arrastamos nossos orgulhos como um catador arrasta seu saco de latinhas pela praia. Meu amigo me olha a cada cinco passos: sinto que ele espera por uma piada, meu humor negro já nos salvou de muito silêncio embaraçoso. Mas tenho vontade é de chorar, tamanha a insensatez do que acaba de acontecer.

Horas mais tarde já somos capazes de rir do acontecido. Nós dois, porque as pessoas ao redor nos olham pasmas, repetindo as mesmas frases mecanicamente. Sorte que não aconteceu nada grave. Ainda bem que vocês não reagiram. Aonde esse mundo vai parar?

Meu amigo nem tenta contabilizar o prejuízo, mas eu faço as contas. No assalto, perdi quase três anos.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Pequena reflexão geográfica.

"Eu não estou perdido. Estou conhecendo melhor esta parte da cidade."

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Pequena reflexão sobre o clima de São Paulo.

Quando escolheram o nome da cidade, São Pedro ficou morrendo de ciúme.

Vermelho e branco.

A turista alemã está sem fôlego. Um pouco por causa do calor de 39 graus, é verdade. Mas psicologicamente sem fôlego, dado o impacto da beleza do Arpoador as 11h da manhã de um sábado. Anos e anos admirando imagens das praias reluzentes, do Cristo sereno e pálido, das bundas pecaminosas do Carnaval não poderiam preparar totalmente uma européia para aquele espetáculo massacrante. Ainda menos uma européia da pequenina e gelada Schielowsee, meia hora distante de Berlim.

"Mein Gott, dieser Ort ist schön" - ela pensa, seu sonho realizado.

O pensamento é a penúltima coisa a passar por sua cabeça. A última é a bala perdida que, viajando verticalmente de cima para baixo, uma hora depois de haver sido disparada da favela do Cantagalo, lhe atravessa o crânio com a velocidade de um trem. O sangue pinga devagarinho, formando pequenos coágulos na calçada quente. Algumas gotas caem sobre as havaianas brancas que ela havia acabado de comprar na Visconde de Pirajá.

Pessoas se aglomeram ao redor do corpo, algumas gritam por socorro, outras cobrem o rosto com as mãos, pensando "que jeito besta de morrer".

Como se algum jeito não fosse besta.



Veio daqui.

Fifa escolhe as sedes da Copa 2014.

Minha sugestão para 4 grupos da primeira fase.

Grupo A:
Jogo 1) Argentina X Nigéria - Manaus
Jogo 2) Argentina X Japão - Porto Alegre
Jogo 3) Argentina X Suécia - Manaus
Jogo 4) Argentina X Austrália - Porto Alegre

Grupo B:
Jogo 1) Itália X Croácia - Florianópolis
Jogo 2) Itália X Coréia - Belém
Jogo 3) Itália X Polônia - Florianópolis
Jogo 4) Itália X EUA - Belém

Grupo C:
Jogo 1) Alemanha X Nigéria - Curitiba
Jogo 2) Alemanha X Irlanda - Recife
Jogo 3) Alemanha X Tunísia - Curitiba
Jogo 4) Alemanha X Costa Rica - Recife

Grupo D:
Jogo 1) França X Gana - Rio Branco
Jogo 2) França X Ucrânia - São Paulo
Jogo 3) França X C. do Marfim - Rio Branco
Jogo 4)França X A. Saudita - Rio Branco

E acho que o logo da TAM deverá aparecer na camisa da Seleção sem pagar nada, só para agradecer pela ajuda.

Pequena reflexão sobre funções fisiológicas.

Meu intestino funciona como um relógio. Daqueles do Hans Donner.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

E a Itália briga com o Brasil.

Por causa do asilo político concedido pelo Brasil ao tal Cesare Battisti, agora os carcamanos ameaçam cancelar o amistoso deles contra a Seleção.
Eu não sei nada sobre o cara, se ele era ativista político (como defende o governo brasileiro) ou terrorista (como querem seus conterrâneos).
Mas concordo com o cancelamento desse jogo: qualquer coisa para não ver o Felipe Melo jogando com a amarelinha.

What the hell am I doing here?

O Radiohead vem aí, e eu fui o único na manada que decidiu não ir. O preço do ingresso foi metade da razão, o Los Hermanos na abertura foram outros 45% e o fato de eu só conhecer uma música, Creep, fechou o caixão.

Mas a canção é mesmo sensacional. O título desse texto é a melhor frase do refrão, que como toda canção sensacional, serve de trilha sonora para diversos momentos da sua vida. Estou falando da pergunta retórica "Que diabos estou fazendo aqui?".

Eu pensei em Creep durante uma viagem em mar aberto, numa canoa de madeira que quase naufragou a caminho do Bonete, Ilhabela. Pensei em Creep segundos antes de saltar de páraquedas em Boituva. Pensei em Creep quando me perdi dos meus amigos no Stadium, maior prostíbulo de Jacarta.

E pensei ontem, no cinema, na hora em que o Marley vai ser sacrificado. Acho que não chorava daquele jeito desde o jogo contra a Itália na Copa de 82.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

A professora de português.

Uma professora de português ligou aqui no escritório. Ela queria autorização para usar um trabalho deste búfalo como exemplo em seu livro didático, a ser impresso no meio do ano.

O tal trabalho, dizia ela, é um exemplo perfeito de anacoluto.

Envaidecido, ainda que envergonhado por não saber o que diabos era aquilo, autorizei. Mas aí dei um google:

"Anacoluto, ou frase quebrada, é uma figura de linguagem que, segundo a retórica clássica, consiste numa irregularidade gramatical na estrutura de uma frase, como se começássemos uma frase e houvesse uma mudança de rumo no pensamento - por exemplo, através do desrespeito das regras de concordância verbal ou da sintaxe."

Fiquei me sentindo meio anacoluto.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Pequena reflexão sobre a sorte.

Se ferradura desse sorte, o cavalo montava no jóquei.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Obama: vai dar merda.

Assumiu com menos de 50 anos.
Nasceu numa cidade litorânea.
Experimentou cocaína.
Barbarizou na juventude.
Conquistou o público jovem através de uma imensa e caríssima campanha de marketing.
Tem gente muito obscura em sua equipe, inclusive na parte de finanças.
E seu primeiro ato no governo foi um congelamento financeiro.

Já não vimos tudo isso antes?

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Campus Party.

Embora razoavelmente antenado (afinal tenho um blog) eu não entendo a graça dessa tal Campus Party. O evento é carinhosamente conhecido como Nerdstock, já que a única droga que rola entre os participantes é a taurina que vem no Red Bull.

Acabei de ler sobre uma novidade que vai deixar os nerdezinhos com suas portas USB intumescidas: iGirl. Um aplicativo que você instala no seu iPhone para ter uma garota presa lá dentro. Você escolhe a roupa, as cores da pele, do cabelo e, a melhor parte: quando você sacode o iPhone, ela perde o equilíbrio e cai! Uau! Vai ser um hit no Campus Party. No meu tempo você escolhia a cor da pele, do cabelo, e também dava tombos em garotas, mas tinha a vantagem de poder tirar a roupa delas. Comentei isso com um dos garotos que trabalha aqui na empresa, que estava a caminho do evento. Ele mostrava o conteúdo de sua mochilinha: barras de cereal, lanterna, toalha, fio dental, cadeados para laptop.

- Só vai homem?
- Não, vai mulher também...
- E tem barracas?
- É...
- Então você não devia estar levando umas camisinhas?
- Cara, não é isso que rola lá. Você não entende esse evento.

Não mesmo, assim como não entendo as raves, o Burning Man e as pessoas modernas que usam óculos sem lente. Mas entendo que os nerds não transam. Eles se conectam por wireless.

A nova camisa do Corinthians.

Eu fiquei decepcionado com a feiúra a camisa do Corinthians para esse ano. Para compensar a contratação do Ronaldo Fenômeno precisaram enchê-la de emblemas e logomarcas e cores. Me lembrou de quando preciso despachar coisas pelo correio: quanto maior o peso, mais selos é preciso colar.

Mas aí me dei conta de uma estatística animadora. Com camisa feia o Corinthians ganha mais título.


Camisa bonita em 81: nenhum título.


Camisa feia em 1995: Paulista e Copa do Brasil.


Camisa feia em 1999: Paulista, Bi-Brasileiro, Mundial.


Camisa bonita em 2005: só 1 título, e ainda perdendo no último jogo.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

O telhado subiu no telhado.

Será possível que não sobraram uns 200 mil do casal Hernandes para colocar um telhado decente entre a cabeça de seus fiéis e o céu para onde eles lançam seus cantos fervorosos? Vou torcer para o dinheiro do Manchester City entrar rápido na conta antes que morra mais gente.

F Train to Coney Island.

Eram quase 4 da tarde de um dia ensolarado e quente. Andar era insuportável, porque o calor que subia do concreto das largas calçadas de Manhattan parecia capaz de derreter a sola do tênis. Já era o quarto dia da viagem e não havia muito para fazer que não implicasse em sofrer insolações assassinas: 16 pessoas morreram de calor naquela quinzena de 2003.

Decidi pegar o metrô para Coney Island, famosa praia com parque de diversões que pertencia à cidade do Brooklyn (só virou um bairro de Nova York em 1898). A paisagem se transforma rápido: num instante você está no centro financeiro da cidade mais importante do mundo. Quinze minutos depois está passando por um bairro definitivamente pobre. Mais outros quinze minutos e dá para pensar que se está chegando na rodoviária do Tietê em São Paulo.

A mudança no visual do interior do metrô também é perceptível. Tanto quanto o suor que a essas alturas me empapava as costas debaixo da mochila, onde eu carregava câmera, guias, livro, passaporte, carteira e tudo que não deveria estar carregando para Coney Island. A população do trem a essas alturas, 60 minutos depois de embarcar em Manhattan era composta por 25% de velhinhos desconfiados, 35% de mendigos, 40% de negões ameaçadores com roupas de basquete e o restante por latinos com camisa xadrez que poderiam ser figurantes no Warriors.

Mais de uma hora de viagem, eu vi no meu Citizen de colecionador. Levantei a cabeça e vi um outro cara também olhando para o meu relógio. É mania de brasileiro, chegar num lugar e achar que só o Brasil é uma merda. Enquanto eu tentava disfarçar e esconder o pulso, o cara se levantou e cutucou um outro. Os dois caminharam na minha direção.

Foram os únicos três segundos em toda aquela viagem que eu esqueci do calor.

O negão parou do meu lado. Fez a pergunta clássica de ladrão que vai roubar relógio:
- Yo, what time is it?

Eu, com voz de quem tinha acabado de inalar um balão de hélio:
- Cinco e quinze...

Ele deu um berro:
- NO!!!!!!!!!!!!!!

E, em perfeita sincronia com seu comparsa, que estava em pé sobre um dos bancos, com os dois braços abertos como se num palco da Broadway:
- IT'S DUET TIME!!!!!!

Em seguida se lançaram numa brilhante interpretação de "Fly me to the moon", a capella. Quando terminaram, com o vagão vindo abaixo em aplausos, um deles estendeu o chapéu onde depositei 30 dólares. Mais do que o relógio valia.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Big Brother.

Bial conversa com os participantes.


Hoje reparei numa mulher que corria na esteira ao lado da minha na academia. Ela tentava ler um livro. Achei estranho ler livro durante uma corrida, e por isso me esforcei para enxergar qual era: o "1984", do George Orwell.

Para quem nunca leu, é a história de um grupo de jovens que ficam trancados numa casa, sem acesso nenhum ao mundo exterior, durante todo o ano de 1984. Eles são vigiados durante todo o tempo por câmeras, sendo observados em tudo que fazem. Volta e meia recebem algum comunicado do exterior vindo de um chefe, que é chamado de Big Brother.

Ok, ok, o livro não tem nada a ver com isso. Mas ao vê-lo sendo fechado pela mulher da esteira, eu não resisti:

Eu: Não gostou?
Ela: Ah, na capa fala que é o livro que inspirou o Big Brother... Mas é meeeega chato.

E passou para uma Caras.