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quinta-feira, 17 de junho de 2010

Desde 70 o Brasil estreia mal em Copas.

Ok, ok, a Coreia do Norte é uma merda.
Mas numa análise retroativa, o jogo ruim de terça não significa nada.
Em 70, tudo bem, goleada de 4x1.

Mas olha aí:

74: 0x0 contra a Iugoslávia;
78: 1x1 contra a Suécia;
82: 2x1 contra a URSS, sendo que 2 pênaltis para os soviéticos não foram marcados;
86: 1x0 contra a Espanha, com gol impedido do Doutor e gol legítimo da Espanha anulado (bola que bateu no travessão e dentro do gol, lembra?);
90: 2x1 contra a Suécia;
94: 2x0 contra a Rússia, com um gol de pênalti.
98: 2x1 contra a Escócia, com um gol contra e uma bola desviada com a mão pelo Dunga;
02: 2x1 contra a Turquia, roubalheira a favor do Brasil;
E, por fim, 06: 1x0 contra a Croácia.

Não serve para nenhum prognóstico, mas confirma que a Seleção sempre sente o peso da camisa no primeiro jogo. E que isso é normal, porque 5 estrelas pesam mesmo.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

A maior solidão da minha vida.



Nessa época de Copa, além de xingar o técnico da Seleção seja ele quem for, somos forçados ao velho balanço das competições passadas. É o típico assunto contagioso, como quando alguém fala do assalto que sofreu ou de uma batida de carro, e os que estão ao redor contam dos seus assaltos e batidas e por aí vai.

Assunto Copa geralmente começa com a de 82. É impressionante para mim a clareza de detalhes dos relatos sobre aquela Seleção, a melhor e mais injustiçada da história. Além de revelar a idade de quem conta, a Copa de 82 é cheia de memórias doloridas e vívidas: o cara vendo o pai chorar, aquele menino na capa do JT. Eu lembro que saí da casa do meu tio onde assistíamos ao fracasso, o churrasco queimando esquecido na churrasqueira, e que a casa vizinha estava em reforma. Monte de areia na calçada, e três fileiras de telhas de barro escoradas no muro. Chutei uma por uma, elas se quebravam com facilidade. Aí meu pai me tocou no ombro - tocou, com delicadeza, veja bem. Me viu ali vandalizando as telhas do vizinho como um hooligan inglês, e reagiu me chamando para entrar no carro e irmos embora.

Foi o segundo momento de maior solidão da minha vida, quebrado pelo toque e pela inédita compreensão do meu pai.

O momento só do título do post foi em 94. Depois de 82 e as três Copas seguintes, ninguém mais acreditava que o Brasil seria campeão novamente. Raí? Dunga? Jogador Zinho? Eis que o Baggio corre para a bola, e isola. Eu nem vi direito o que aconteceu. Levantei correndo da sala, em direção à rua, para avisar a todo mundo que aquele merda toda tinha finalmente acabado.

A porta de madeira que dá acesso à rua se fechou atrás de mim, e eu me espantei com o silêncio lá fora. Na rua não havia sinal de Tetra. Dentro das casas o Brasil inteiro devia estar se abraçando, chorando, tendo infartos. Mas na rua se ouvia o som de fogos e de gritos abafados por paredes. Eu estava sozinho. E sem chave para abrir a porta e voltar para dentro da casa.

Toquei a campainha freneticamente, desesperadamente só. Só depois de 10 minutos alguém escutou e veio abrir.

terça-feira, 2 de março de 2010

Dunga e a vitória da mediocridade.

Medíocre, na acepção da palavra, não é uma qualidade negativa. Quer dizer algo que fica entre o bom e o mau. Algo que é mediano, ou comum, anódino. Anódino, diz o dicionário, é aquilo que acalma as dores.

O que é Dunga senão um AAS para o país após o fracasso na Copa de 2006? A resposta que a CBF pode encontrar para aquela pergunta impossível que sempre acompanha as derrotas da Seleção: por quê perdemos?

O Brasil nunca foi campeão com "trabalho sério e amor à camisa", duas das babaquices que o Dunga tanto gosta de repetir. Em 2002 ganhou com Ronaldo, Gaúcho, Roberto Carlos - que caíram em desgraça por causa das "baladas" em 2006. Em 1994, levou porque tinha um dos mais rebeldes e auto-centrados jogadores da história, Romário. Não pelo Dunga: pelo Romário. E, diga-se, pelo Baggio que chutou longe.

A única vez na história em que priorizamos claramente a mediocridade foi em 90, com Lazaroni, na Seleção justamente lembrada como "Era Dunga". O agora técnico não é o capitão de 94, mas o troglodita limitado de 90. Só isso explica a decisão de levar o Grafite para a vaga do Luis Fabiano. Ele prefere ter cordeirinhos obedientes a jogadores que pensam e podem mudar o resultado da partida. Prefere o caminho ranheta, da chatice, da mesmice, em vez de futebol arte. E não sabe ganhar, porque continua puto com o mundo mesmo na vitória - lembra como ele xingou na hora de levantar a taça em 94?

Seria no mínimo inteligente ter a opção de colocar Ronaldinho Gaúcho ou o Gordo num segundo tempo contra Portugal, por exemplo. Dunga pretende insistir com seu bando de médios, com seus 11 Júlios - 10 Batistas e um César.

O Brasil é penta porque produz, em consistência, mais jogadores talentosos que os outros países. É isso que deve ser priorizado na Seleção. Trabalho sério, amor à camisa e nacionalismo nós precisamos no Congresso e nos hospitais públicos. Copa do Mundo é para ganhar, e para ganhar porque temos talento - deixemos a garra e o sangue nas veias para os argentinos.

Dunga é um anão, cercado pelo futebol nanico.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Jogo ruim e Fatal Surf.

Certa feita levantei uma teoria aqui, de que jogo que tem placa de patrocínio da Fatal Surf é jogo ruim.

Brasil X Estônia. Adivinha quem tá.



A teoria.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Quer se irritar hoje?

Pegue um envelope pardo, levante a aba, encoste na pelezinha entre o dedão e o indicador. Mova o envelope para baixo com toda força: vai cortar e arder muito.

Faça se você quiser se irritar. Agora se quiser se irritar irracionalmente, virar bicho: assista ao Bem, Amigos do Galvão Bueno, especialmente da África do Sul hoje à noite.

Com o Brasil ganhando bem dos EUA, o Galva vai estar com a periquita em chamas. Ele babava no microfone falando do Maicon, do RRRRRRobinho e do RRRRRRRamires.

E esse jogo eu duvido que o Ronaldo tenha acordado cedo para assistir.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Êêê, Gordo.



Tá na Globo.com hoje:
"Para o atacante Ronaldo, apesar do gol da vitória ter saído apenas aos 45 minutos do segundo tempo, o time dirigido por Dunga teve um bom desempenho.
- Acordei cedo para ver. Achei ótimo. Uma ótima vitória – afirmou."

Cedo? O jogo começou às 11h da manhã.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Fifa escolhe as sedes da Copa 2014.

Minha sugestão para 4 grupos da primeira fase.

Grupo A:
Jogo 1) Argentina X Nigéria - Manaus
Jogo 2) Argentina X Japão - Porto Alegre
Jogo 3) Argentina X Suécia - Manaus
Jogo 4) Argentina X Austrália - Porto Alegre

Grupo B:
Jogo 1) Itália X Croácia - Florianópolis
Jogo 2) Itália X Coréia - Belém
Jogo 3) Itália X Polônia - Florianópolis
Jogo 4) Itália X EUA - Belém

Grupo C:
Jogo 1) Alemanha X Nigéria - Curitiba
Jogo 2) Alemanha X Irlanda - Recife
Jogo 3) Alemanha X Tunísia - Curitiba
Jogo 4) Alemanha X Costa Rica - Recife

Grupo D:
Jogo 1) França X Gana - Rio Branco
Jogo 2) França X Ucrânia - São Paulo
Jogo 3) França X C. do Marfim - Rio Branco
Jogo 4)França X A. Saudita - Rio Branco

E acho que o logo da TAM deverá aparecer na camisa da Seleção sem pagar nada, só para agradecer pela ajuda.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

E a Itália briga com o Brasil.

Por causa do asilo político concedido pelo Brasil ao tal Cesare Battisti, agora os carcamanos ameaçam cancelar o amistoso deles contra a Seleção.
Eu não sei nada sobre o cara, se ele era ativista político (como defende o governo brasileiro) ou terrorista (como querem seus conterrâneos).
Mas concordo com o cancelamento desse jogo: qualquer coisa para não ver o Felipe Melo jogando com a amarelinha.

terça-feira, 10 de junho de 2008

A Lei Dunga.

Quando a Seleção pagou o mico dos micos contra a França em 2006, chegamos à conclusão que as estrelas do futebol precisavam de vergonha na cara. Talvez também de umas bolachas na cara, e para isso chamaram Dunga (com quem todo mundo concordou na época). Aí ele ganhou a Copa América de maneira surpreendente, com direito a golaço do Júlio Batista (que é volante mas estava de atacante para ódio de muitos). Não faltou gente para elogiar e para esquecer de tudo que se sabia antes: Dunga é despreparado, cabeça dura e rancoroso, características que atrapalham muito no cargo. Agora que começou a fase complicada e essas características estão visíveis a quilômetros de distância, ninguém mais se lembra da Copa América.

A Lei Seca, assunto da vez, me faz pensar no Dunga. É preciso reduzir as mortes no trânsito, como era preciso fazer a Seleção ganhar. E faltava motivação aos jogadores, assim como falta consciência para as pessoas não dirigirem depois de encher a cara. Mas aí o que o Brasil decide fazer? Cria uma restrição exagerada para o consumo de álcool, do mesmo jeito que criou um disciplinador exagerado para o cargo de técnico canarinho. Ou seja: a Lei Seca é igualzinha ao Dunga.

Começa com polêmica. Aí os bons resultados iniciais silenciam os críticos. Mas, com o tempo, as falhas começam a ficar evidentes, o país inteiro se revolta e daqui a pouco a solução que era de todos passa a ser a cretinice de alguns.

Evidente que ninguém quer ver gente morrendo no trânsito, e que isso é muito mais importante que os resultados da nossa equipe de futebol. Mas é irritante que uma questão fundamental como educação no trânsito seja tratada de maneira tão leviana, discutida com a mesma profundidade que se usa para preferir o Maicon que o Daniel Alves na lateral direita. Ficou nas mãos de PMs mal-treinados, com bafômetros que a Constituição nos desobriga baforar e funcionando na base da intimidação. E também é irritante que tanta gente informada e esclarecida continue fingindo que acredita que tudo está resolvido e que, por causa de multas altíssimas e ameaça de perder a carteira de habilitação ninguém mais vá beber antes de dirigir - no país que tem a Inbev e é o maior mercado mundial da Fiat e da Volkswagen.

A Lei Seca usa uma roupa tão ridícula como aquela do Dunga no jogo contra Portugal.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Ronaldo Fenômeno: ainda vai dar merda.


Tudo começa com o cara ainda magro jogando pelo Cruzeiro. Ele está escondido atrás da trave, sem que o goleiro Rodolfo Rodriguez perceba. O goleiro solta a bola, o moleque zune lá de trás, rouba e faz o gol. Corta, Ronaldo em 1994 no banco, esperança da nação, campeão sem entrar em campo. Corta, Ronaldo dando o piripaque em 1998, estressado porque o Pedro Bial estava comendo a mulher dele na época, Suzana Werner. Corta, 1999, o cara almoçando a algumas mesas de nós, com a Milene Domingues e a mãe dela a tiracolo. Almoçando mas quase comendo a moça diante da sogra, só para mostrar que ele é bom. Corta, joelho estourando ao vivo na TV num jogo da Inter. Corta, ele tirando foto trincado numa balada, com o sorriso do gato de Alice, abraçado a um dos maiores traficantes de exctasy do país enquanto deveria estar se recuperando. Corta, ele marcando o segundo gol contra a Alemanha na final de 2002.

Corta para a bunda dele quase estourando o short no jogo contra o Japão em 2006. Corta para ele trombando com um zagueiro do Brasil dentro da área. Corta para ele saindo de um treino com uma garrafa de Coca normal, daquelas de 600 ml, quase vazia, e ainda ficando bravo com quem falou para ele mudar pra Coca Light. Corta para ele sendo chapelado pelo Zidane no dia da eliminação. Corta para essa foto que eu vi dele hoje, adiando pela segunda vez sua reestréia no campeonato italiano porque acha melhor "ir com calma". Olha o tamanho da pança, olha a curvatura da camiseta.

Todo esse desabafo não se deve a raiva pela indiferença que o cara tem para com o próprio legado, nem a sua megalomania que pode ser medida em quilos, como a do Maradona. Até porque o Maradona, cá para nós, sempre foi um babaca. O Ronaldo é carismático, é... brother. A gordura do Ronaldo tem mais a ver com a do Elvis, acho eu. Mas aí corta para ele voltando a jogar pela Seleção. Corta para ele indo para a Copa da África. Corta para ele, num treino, escondido atrás da trave esperando o goleiro Júlio Cesar soltar a bola, ele corre, toca antes dela bater no chão e faz o gol. Na saída do treino a imprensa elogia, o clima é ótimo, os jogadores estão leves e confiantes, o Fenômeno está em paz. Só que corta para ele reencontrando a Suzana Werner, no lobby, agora ela é mulher do goleiro Júlio Cesar. A dor de corno volta com toda a força, ele quase derruba a porta do quarto do hotel de tanta raiva. Ele toma todas as Cocas normais do frigobar e tem uma convulsão. Termina com o Brasil perdendo a Copa de novo por causa do Fenômeno.