Caiu em minhas mãos um livro com os textos do blog do José Saramago.
Depois de tantos anos em dúvida se um de seus livros dava filme (óbvio que dava), até que ele foi rápido para descobrir que seu blog dava livro.
Se você tem um blog, leia o dele, seu verme.
Sinta-se, como eu, pequeno, diante de tanta precisão. Fica provado que o cara escreve livros daquele jeito duríssimo, cheio de pontuação e parágrafos intermináveis, porque quer. No blog ele é sucinto como o Romário dentro da pequena área.
E os temas? A idade da mentira em que Bush lançou o mundo; Obama enquanto revanche por Martin Luther King; A vulgaridade bilionária de Berlusconi.
Decidi que faria deste meu modesto espaço um posto avançado de observação do mundo. Trataria dos temas pesados que Saramago trata. Sem a superficialidade e a tentativa, quase sempre mal-sucedida, de ser engraçado.
Aí eu passei de carro diante de uma pichação aqui perto. E percebi de um soco o quanto eu não entendo o mundo para poder dar pitacos sobre ele.
A pichação diz "Terror Anal". Explica essa, José.
O blog do Saramago.
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sexta-feira, 7 de agosto de 2009
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
Ensaio sobre a cegueira.
Dia desses fui assistir ao "Ensaio Sobre a Cegueira". Achei ótimo, independentemente de ter lido os comentários elogiosos do próprio autor do livro, notório antagonista de adaptações cinematográficas de suas histórias.
A metáfora da cegueira branca representar a linha tênue que mantém os homens civilizados é perfeita, verdadeiramente visual e por isso o filme funciona. Vemos que a passagem do estado racional ao bestial, com gente brigando por comida ou defecando ao lado de onde come não demoraria mais que poucos dias. Bastaria não ter sobre si os olhos e o juízo dos outros para que a decência, a dignidade e a moral fossem abandonados por completo. O mal e o bem estão nos olhos de quem contempla nossas ações. Me faz pensar em Sartre, que disse que o inferno são os outros.
Mas também me faz pensar na casa da praia, domingo de manhã, após o churrasco de sábado.
A metáfora da cegueira branca representar a linha tênue que mantém os homens civilizados é perfeita, verdadeiramente visual e por isso o filme funciona. Vemos que a passagem do estado racional ao bestial, com gente brigando por comida ou defecando ao lado de onde come não demoraria mais que poucos dias. Bastaria não ter sobre si os olhos e o juízo dos outros para que a decência, a dignidade e a moral fossem abandonados por completo. O mal e o bem estão nos olhos de quem contempla nossas ações. Me faz pensar em Sartre, que disse que o inferno são os outros.
Mas também me faz pensar na casa da praia, domingo de manhã, após o churrasco de sábado.
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