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terça-feira, 4 de maio de 2010

Morreu o cachorro do Seu Chico.

Meu vizinho de 60 anos tinha um lindo labrador preto, Tufão, que de tão doente precisou ser sacrificado.
O encontrei na rua, ele me deu a notícia entre lágrimas discretas. No cachorro anterior a esse, faz 11 anos, ele havia se prometido nunca mais ter cachorro.
A gente se apega muito ao bicho, depois sofre - me dizia ele.
Eu só consegui pensar no jogo do Corinthians amanhã. Em quantas e quantas mortes eu me prometi não me apegar mais, não perder mais meu tempo com uma idiotice dessas. Futebol? Que importa o futebol?
Aí me dou conta que o Corinthians é a única maioria na vida da qual eu faço parte. Eu torço pelo time, mas muito mais pela torcida. Quero ver os meus manos corintianos felizes, orgulhosos. Crentes refeitos, já que mais uma vez puderam comprovar que a sua fé move montanhas. E, excepcionalmente neste caso, deixarei passar a piada com o tamanho do Ronaldo.
Desejo que o Corinthians garanta a seu Chico um resto de semana feliz. E que o próximo cachorro dele se chame Dentinho.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Por que Ronaldo não pede para sair?


Já li em muitas partes e ouvi de muita gente que os interesses financeiros é que mandam. Mas está claro que não se trata disso. Porque o contrato já está firmado e pago, os comerciais já estão filmados. Se ele estivesse só cumprindo compromissos comerciais, como querem acreditar alguns jornalistas e alguns dos meus amigos, por que ele faria cara feia ao ser substituído? Porque ele faz. Fica indignado.

Ronaldo exige ser titular. E eu fico me perguntando o que leva esse cara a desejar passar a vergonha que ele tem passado. Entrar em campo para ser marcado por zagueiros 10 anos mais jovens e 30 quilos mais leves. Que genialidade é essa que ele pensa ter? A de ser o Muhammad Ali?

Eu vi nessa semana o documentário Facing Ali, e é curioso que sim, Ronaldo parece seguir seus passos. Como Ali X Foreman, Ronaldo sabota seu próprio treinamento, inexplicavelmente, tentando conhecer um novo limite para si próprio. Fuma, bebe e come mais do que seria aceitável para um pedreiro, quanto menos para um atleta de ofício. Deixa tudo para o final, aceitando todos os golpes durante toda a luta, e surpreendendo o público no final, com um ataque certeiro.

Será? Será que podemos estar por testemunhar uma das mais espetaculares vitórias pessoais da história, que seria mais um volta por cima deste sujeito inexplicável?

Ou isso, ou o Ronaldo vai deixar mais uma pergunta sem resposta na sua biografia. A se juntar às já esquecidas sobre a final de 98, às relacionadas aos travestis, a nova: o que diabos você veio fazer no Corinthians?

quinta-feira, 18 de março de 2010

Cerro Porteño 0 X 1 Mano Menezes.

O jogo de ontem não chegou a me irritar, como bem disse o Casagrande num determinado momento. Me parece que o Mano está seguindo a cartilha do Parreira em 94: existe jogar para ganhar e existe ganhar. A seleção de 82, assim como o Corinthians de 99 na Libertadores (não comparando os times, mas o espírito), jogava para ganhar. E aí o imponderável do futebol cresce, em catimbas, crises nervosas, erros imperdoáveis e fatais como aquela bola do Cerezo ou o pênalti para fora do Marcelinho.

O que me acalmou, apesar da chatice do jogo, foi o cuidado dos jogadores corintianos em não entrar no clima dos paraguaios. O Timão estava roubando a bola com a delicadeza de quem come um sashimi. Estava desarmando com hashis. Foi isso que trancou o jogo, especialmente no meio-campo defensivo mais eficiente que eu vi nos últimos anos: Jucilei, Elias, Ralf. Por ali os paraguaios não passaram nem com muamba.

Lembro de várias entrevistas no ano passado, em que o técnico avisava: vai ser chato, não vai ser jogo bonito, mas vai ser como tem que ser na Libertadores. Ele estabeleceu a meta de 3 pontos fora de casa, já ganhamos quatro. E agora decidiremos no Pacaembu.

E o Gordo? Não me parece que está se importando com a opinião da imprensa e da torcida. Ele fica parado de um lado, feito uma geladeira, 3 zagueiros passam o jogo tentando rodeá-lo, e o Danilo, o Dentinho, o Elias, e até o Jucilei ficam livres. Se os 3 últimos tivessem acertado a finalização, teria sido goleada. Sem dúvida o Ronaldo segue acima do peso e fora de forma. Na entrevista do intervalo ele quase não conseguiu falar com o Mauro Naves por falta de fôlego. Embaraçoso.

Mas estou sentindo firmeza no Mano.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Rubinho e seu amuleto.



Acabo de ler que o Rubinho descobriu a força da camisa corinthiana.
Ele foi fotografado usando uma camisa do Timão antes de 3 GP's esse ano, e pegou pódio nos 3.

Mas aí fiz o raciocínio inverso. O quê será que eu concluí?

Exatamente: o Corinthians não ganhou em nenhuma dessas vezes.



Austrália, 29/03: Rubinho em 2º. Corinthians? Empate com o Guarani, jogando em casa.
Espanha, 10/05: Rubinho em 1º. Corinthians perde para o Inter, jogando no Pacaembu.
Monza, 13/09: Rubinho em 1º. E o Corinthians empata com o Coritiba (não jogou no fim de semana
, foi na 4a feira logo depois).

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Hoje é a aniversário do Corinthians.

Parabéns, time que eu amo de coração e, como todas as coisas do coração, mais me faz sofrer do que qualquer outra coisa.

Tomara que não tenha bolo de aniversário. Senão o Ronaldo vai voltar da lipo tão gordo quanto antes.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Porque Ronaldo está no Corinthians.

Já ouvi de fontes críveis que em primeiro lugar foi uma imposição da Nike. De fato Ronaldo preferia o Flamengo, mas os contra da marca americana foram definitivos - até porque o time carioca só esperava terminar um contrato para mudar de fornecedor, fechando com a Olympikus.

Para superar a perda, o Flamengo trouxe Adriano. Bom de bola, mas ruim das bolas, começou a faltar a treinos por causa das baladas que nem faz questão de disfarçar. Conta com a leniência de um sistema de autoridade falido e corrompido por décadas e décadas de problemas. Quem no Flamengo vai constestar Adriano?

Tivesse o Ronaldo decidido pelo Flamengo, capaz até que o rompimento com a Nike fosse revertido. Mas ele deve ter percebido que a bagunça do Rio poderia lhe bagunçar a cabeça, e que a bagunça do Flamengo poderia lhe bagunçar os negócios. Preferiu não só o Corinthians, mas também o futebol de São Paulo. Não dá para questionar que ele está cumprindo tudo que prometeu, e em troca desfruta de um prestígio que nunca tinha experimentado no Brasil. Ameaçou, logo no começo, uma recaída à la Adriano - num jogo em Presidente Prudente ele tentou subir bêbado para o quarto do hotel com uma prostituta, armou um barraco. Mas foi enquadrado, botou o galho dentro e não mais se ouviu falar de arroubos dele, por mais que a imprensa esteja marcando em cima.

Já o Adriano pode tudo. A última que eu soube: a Olympikus fez uma promoção em que a torcida votou para escolher com que camisa ele iria jogar. Venceu o número 9, anunciado com estardalhaço, milhares de camisas confeccionadas e postas à venda. Adriano desfilou com a camisa, jogou e marcou gols com ela. Mas aí decidiu que não: prefere a 10. E com a 10 ficou. As camisas 9 já vendidas, ao preço de 149 reais, não valem mais. As que estão à venda valem menos ainda.

Mas o mais engraçado? A 10 seria do Petkovic, que voltou ao Flamengo em troca de não levar o time à Justiça do Trabalho.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

O Corinthians jogou em casa.

O Internacional jogou com o uniforme de visitante ontem, porque o Corinthians jogava em casa. Frio, implacável, racional, 4 gols de vantagem ainda no primeiro tempo, garantindo o tri-campeonato. O que restou para o Inter, depois do DVD com erros de arbitragem e chororô por causa da faixa antecipada de campeão? Apagar os refletores do estádio para impedir o Timão de dar a volta olímpica. Patético? Embaraçoso? Não: colorado. Um time que quase nunca ganha e mesmo assim não aprende a perder.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Aos amigos são-paulinos.

Quando o único jogador que demonstra ter culhões é o Richarlyson, é para se preocupar.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Êêê, Gordo.



Tá na Globo.com hoje:
"Para o atacante Ronaldo, apesar do gol da vitória ter saído apenas aos 45 minutos do segundo tempo, o time dirigido por Dunga teve um bom desempenho.
- Acordei cedo para ver. Achei ótimo. Uma ótima vitória – afirmou."

Cedo? O jogo começou às 11h da manhã.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Porque o Fluminense não ganharia ontem.



Rebaixado para a segundona em 1996, foi salvo por uma manobra política da CBF e manteve-se na elite. Caiu outra vez em 1997 e, sem ajuda de ninguém, foi rebaixado mais uma vez, agora para a terceirona. Em 1999 outra virada de mesa, e o tricolor das laranjeiras voltou direto para a primeira divisão. A partir daí, do que é feita a história do "nense"? Uma Copa do Brasil, uma taça Rio, que cá entre nós é um título inexpressivo por representar apenas um turno de um campeonato fraco (há décadas os 4 grandes do RJ não têm brilhado simultaneamente, diferentemente do que acontece em São Paulo: nos últimos 5 anos, os 4 grandes se alternaram como campeões). E um monte, mas um monte enorme de vice-campeonatos.

Ok, você pode argumentar, ser vice só é visto como desgraça para o exigente torcedor brasileiro. Mostra uma certa consistência estar sempre chegando às finais. Mas aí, nessa incapacidade de vencer, está a raiz do problema laranjeiro: existe um código de honra futebolístico que o Fluminense desrespeita sempre.

Durante todo o jogo de ontem alguém na torcida iluminava com uma lanterna de raio laser o rosto do goleiro do Corinthians, do técnico, do juiz, para tentar atrapalhar o jogo. Em meus 65 anos acompanhando futebol, só coisa tão ridícula feita por torcedores do outro tricolor, o bambi, tão execrável quanto isso. Como na época o Fluminense exigiu punições ao São Paulo, resta esperar ver se o time de coração da CBF será punido.

Outro exemplo: o time perdendo por 2X0, ouve-se uma comemoração intensa. Não chegava a ser como a de um pênalti marcado, mas cheguei a pensar em cartão vermelho para um corintiano, em lance fora do jogo, tamanha a gritaria. Não, era felicidade por um gol do Inter em cima do Flamengo.

Imagine o seu time perdendo em casa por 2X0, precisando buscar 4 gols. Sai gol num jogo a 800 km de distância, contra o seu arqui-rival. Você comemora como se fosse alguma vantagem? Pois é: os fluminenses comemoram.

De tanto comemorar as derrotas dos outros, de tanto colocar laser na cara dos adversários, de tanto usar e abusar dos conchavos políticos para não cumprir regulamentos, eu acredito que o Fluminense seja o merecedor da ira dos deuses do futebol. Vai ser eterno vice. Por mais que alguns poucos torcedores sinceros chorem e se envergonhem, a bola não perdoa falta de caráter.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Futebol sem alambrado não tem a menor graça.

Uma vez eu estava num ônibus, e vai parecer começo de piada, mas estavam num ônibus um flamenguista, um argentino e um corintiano. Estávamos no sul da França, e para tornar tudo ainda mais surrealista, os integrantes da banda Zero 7 estavam à bordo, junto com mais alguns outros passageiros de nacionalidades variadas. Vai que a conversa, obviamente, caiu para o futebol. E um inglês meio bêbado começou a se agitar, era metade do ônibus de brasileiros inteiro sacaneando ele - pô, vocês inventaram um esporte em que só a gente ganha. O Beckham não gosta da fruta. O melhor jogador que vocês tiveram usava combover.

Aí o inglês quis saber para que time nós torcíamos. O flamenguista recebeu um aceno respeitoso de cabeça. O argentino, que era Boca, mais respeito ainda. Chegou na minha vez, aí o inglês cresceu. "Então diga um jogador conhecido do Corinthians."

Rivellino, Casagrande, Rivaldo, Sócrates. No Sócrates o inglês murchou, porque qualquer inglês ama o Doutor mas muito poucos sabem que ele jogava no Corinthians. Aí ele confessou torcer para o Manchester City, que agora tem o Jô, que era júnior do Corinthians, e continua sem nenhum título.

Eu pensei nesse inglês quando o Tevez veio, e me deliciei, tentei não pensar nele quando caímos para a segundona. Mas ontem, ah, inglesinho filho da puta, chupa. Até o alambrado se ajoelhou.



PS: Ele no Galvão Bueno, sobre o fato de parecer mais gordo no jogo do que ao vivo. Galvão diz: é a televisão que engorda. Ele responde: preciso parar de comer televisão.


Eu sou fã do cara..

Mesmo..

quarta-feira, 4 de março de 2009

Mensagem aos amigos flamenguistas.

Ele não ficou no Flamengo porque listras horizontais engordam, verticais emagrecem.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

A nova camisa do Corinthians.

Eu fiquei decepcionado com a feiúra a camisa do Corinthians para esse ano. Para compensar a contratação do Ronaldo Fenômeno precisaram enchê-la de emblemas e logomarcas e cores. Me lembrou de quando preciso despachar coisas pelo correio: quanto maior o peso, mais selos é preciso colar.

Mas aí me dei conta de uma estatística animadora. Com camisa feia o Corinthians ganha mais título.


Camisa bonita em 81: nenhum título.


Camisa feia em 1995: Paulista e Copa do Brasil.


Camisa feia em 1999: Paulista, Bi-Brasileiro, Mundial.


Camisa bonita em 2005: só 1 título, e ainda perdendo no último jogo.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Corinthiano sofre.

O morador chega com seu carrão que custou 170 salários mínimos ao portão que está quebrado. São duas da manhã e o vigia que ganha 1 salário mínimo tem que levantar de sua cadeira lá no fundão da garagem para vir abrir. São duas da manhã e o vigia, apesar de ganhar para vigiar, dorme o sono dos justos. O morador hesita. Desço ou buzino? Dilema burguês: são 2 da manhã, o vigia vai se assustar com a buzina, vai sair correndo na direção dos faróis acesos feito um morcego cego - imagina uma pupila dormindo ter que olhar para um farol às 2 da manhã? -, pedirá desculpa e terá medo de ser dedurado para o síndico porque estava dormindo. Custa descer e abrir eu mesmo? O morador desce e abre o portão. O vigia acorda e demora a entender o que se passa. Seus olhos estão ardendo, as pernas dormentes por causa da cadeira desconfortável. Ouve o som das portas do carrão sendo trancadas por controle remoto. Abriu o portão ele mesmo. Custava dar uma buzinada? E ainda apagou o farol, pra eu não acordar e ele poder me dedurar para o síndico, esse porra. Vai dizer que eu estava dormindo, e eu só estava distraído.
Morador: E o Coringão, hein? E o Acosta?
Vigia: Nem me fale... comeu a bola ano passado, agora não joga nada...
Morador: Ô fase, né?
Vigia: Ô...
Morador: Valeu, então. Boa noite...
Vigia: Boa noite...