segunda-feira, 7 de maio de 2012

Linda experiência.

Eu não conheço essa sujeita da foto. Digitei Linda no Google imagens, para fazer uma experiência. E aí apareceu essa mulher em primeiro lugar da busca. Achei sensacional pensar no quanto o resultado pode ter sido aleatório, e no quanto pode ter mudado a vida dela. A descrição, quando se clica no link, é que ela vive em Juazeiro do Norte, e que tem uma bela voz. Ouso acrescentar que tem um computador em cuja tela está sempre o serviço de busca, onde ela digita com frequência cada vez menos espaçada e com velocidade cada vez mais rápida, acostumada que já está ficando a localização no teclado das cinco letras: Linda. Para se ver surgir, em primeiro lugar entre todas as imagens do mundo. Linda. Primeiro lugar no quesito linda, há de valer alguma coisa. Ainda menos o Google, que a todos conhece e que tudo sabe, não iria se equivocar em algo assim tão capital. Pois se engana, Google. Eu conheço a que é realmente a mais linda. E ela tem mesmo uma bela voz.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Manicure.

Faço terapia. Fui hoje. É como se eu tivesse com uma pelezinha levantada no dedo, e a terapeuta me ajuda a entender que o melhor a fazer seria tirar essa pelezinha, ou ela vai ficar me perturbando para sempre. Aí eu respondo: mas dói! Às vezes a pelezinha que você tenta arrancar não sai de uma vez, e começa a descascar o dedo inteiro que nem com aquela bailarina no filme Cisne Negro (hmmm, as duas se agarrando). E o que era incômodo vira dor e um bandaid de bichinho na ponta do dedo, que é o único que a moça aqui do trabalho tinha na bolsa. A terapeuta retruca que sim, que é verdade. Que talvez eu esteja precisando de um alicate de cutícula, para tirar a pele sem dor e de uma vez? E eu penso: Uau! É isso! É o que eu preciso. "Você tem um pra me emprestar?". Mas ela diz que não, que eu vou ter que comprar o meu próprio alicate de cutícula. Eu não sei aonde vende alicate de cutícula. Mesmo que soubesse teria vergonha de entrar num lugar e comprar um alicate de cutícula. Onde já se viu, eu com um alicate de cutícula? E aí a terapeuta me diz que minha resistência a comprar um alicate de cutícula revela meu apego à pelezinha, e que isso precisa ser entendido, aprofundado. Mas agora vamos ficando por aqui, está na hora de parar. Eu vou preencher o cheque, a caneta pega bem em cima da pelezinha, só pra me irritar.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Dois posts num ano? Será?

Volta e meia alguém diz: por que você não escreve mais? Eu sempre acho que a pessoa está falando desse blog, que vive num estado comatoso e às vezes mexe uma sobrancelha, tem um espamo no dedinho do pé e enche a todos de esperança. A verdade pura e simples é que eu ando sem tempo. Não pra escrever, porque cá para nós escrever não toma tempo. E nem quero dar uma de erudito-coolto, "o que demora é editar". Escrever num blog que ninguém lê é mole e não dói. Eu ando sem tempo é para a encheção de linguiça que é a internet. A quantidade desesperada de posts, fotos, tuítes, tudo gritando "EU", "NÃO, EU POR FAVOR!" numa briga por atenção que parece a daqueles vira-latas para adoção que tem no Embu. Não estou no facebook, nem no Instagram tirando auto-fotos. E quase não estou por aqui. Porque se me irrita, não vou colaborar com a grita. Mas às vezes - cada vez menos, confesso - tenho vontade de entrar aqui e desabafar um pouco. Aí se tem um comentário, eu até tenho vontade de retomar. Me prometo retomar, até o próximo conhecido divulgar onde está e com quem, para eu perder a vontade novamente. Como se a vontade inflasse e depois fosse esmagada, igual que nem fole de acordeão. Ah sim: também não tenho escrito porque ouvir Chico Buarque me faz repensar minhas palavrinhas chinfrins.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

1 post por ano?

Blogs caíram de moda tão rápido que eu esqueci desse meu. E pensar que eu metia o pau no twitter, nunca entendi o facebook e ria de quem usava calça saruel. O que sera que aconteceu comigo? Nesse último ano, 1 único post. Ainda por cima escrevendo com algarismo ao invés de por extenso. Isso não: um único post em 2011. Amanhã faria um ano que eu não atualizava meu moribundo blog e isso não pode ficar assim.

Ainda mais agora, que eu ando feliz, recebendo e dando sorrisos como se fosse uma modelo no stand do Salão do Automóvel. Eu estou amando todo mundo. E melhor, estou me sentindo amável.

É um pouco tarde para desejar Feliz 2012. Mas é o que eu desejo, para mim e para quem estiver lendo.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Personal trainer.

O personal manda um sms: "Tudo bem? Vc chegou a fazer o deposito? Nao estou encontrando aqui. Abs".

Ao que eu, cheio de gracinha, respondi: Fiz sim, na sexta. Depositei na sua poupança, você não sentiu?

Ele responde: "Encontrei aqui, obrigado".

Então me dou conta do quanto estou fodido na aula de amanhã.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Galerinha do Surf.

Eu alugo casa na praia com outros três búfalos.

Um dos búfalos é o alfa que traz para casa fêmeas de todo tipo. Enfim, a casa é maravilhosa, num condomínio de übber-ricos ultracaretas. Por estar em mal estado, inacabada desde a década de 80 e precisando de reformas sinceras, nossa casa é acessível para nossos bolsos, um tremendo achado. Somos os únicos que alugam, os demais são todos proprietários. Portanto não é difícil responder sorrindo aos cumprimentos contidos de nossos sempre bem-vestidos colegas de muro, ao darem de cara com as nossas bermudas velhas e pranchas molhadas: ali nós somos os hippies.

Numa festa de aniversário que aconteceu na casa teve DJ e queima de fogos. Quase deu polícia, deu uma cachoeira de reclamação, culminando com os vizinhos da frente entrando no carro e subindo a serra num sábado à meia-noite, tão incomodados com a nossa folia. Minha cachorra Olga, que em vez de hippie é uma skinhead, foi proibida de pôr as patas no condomínio por comportamento inadequado.

Eis que um dia, voltando da praia, encontramos um bilhetinho de criança sobre a mesa, já que na nossa casa a mesa fica do lado de fora: a sala de jantar tem uma mesa de sinuca. O bilhetinho, com aquela letrinha irresistível, dizia:

Galerinha do Surf e mulheres.
Venham na inauguração do restaurante de Camburi
melhor comida saladinhas. Por favor venham.

A garotinha do vizinho da frente havia arrumado uma mesa e estava ali brincando de restaurante. Deu para ver os pratinhos de plástico com grama e folhas fingindo de salada, copinhos e talheres de brinquedo. Entre uma cerveja e outra, quase aceitei o convite. Mas não.

Porque me veio a imagem dos pais da garotinha apontando para a nossa casa, a cada vez que a música alta ou as risadas ou o cheiro de fumaça ilegal atrapalha o fim de semana deles: é a "galerinha do surf".

terça-feira, 6 de julho de 2010

A culpa é do twitter.

Tem uma carta do Mário de Andrade, acho, que termina assim: "desculpe pelo tamanho da carta. Se tivesse tempo, teria escrito menos."

O Twitter, com sua obrigatoriedade de 140 toques, nos faz concisos, objetivos, e torna-se um desafio semi-literário não perder o raciocínio tendo que escrever tão pouco. Tenho alguns amigos que se tornaram craques - não por acaso trabalham em propaganda, onde o menor texto geralmente é o melhor texto.

Mas o ponto é que com o Twitter, eu comprimo tanto o pensamento que termino cada quadradinho daqueles exausto. Não sobra nada para escrever aqui. Sem falar que imagino uma pessoa, ao escolher onde perder os 5 minutos relativos ao cafezinho que acabou de buscar na máquina, opte pela variedade que só o Twitter proporciona. Eu ontem passei muitos cafezinhos lendo o blog de uma menina que vive no Canadá que eu conheci via Twitter. Textos deliciosos, sobre o assunto atual dela, que é viver no Canadá.

Mas aquele não é, como este, um blog sobre a esquizofrenia de um indivíduo. Sobre a loucura de tentar viver disfarçado entre as pessoas, ocultando sua identidade real de búfalo e quadrúpede, tentando esconder dos outros a perplexidade, o espanto, o medo a respeito de tanta coisa incompreensível que acontece ao meu redor.

Escrever no Twitter, com toda a escassez de espaço, acaba sendo muito mais libertador que um blog onde não há limite nenhum.