Blogs caíram de moda tão rápido que eu esqueci desse meu. E pensar que eu metia o pau no twitter, nunca entendi o facebook e ria de quem usava calça saruel. O que sera que aconteceu comigo? Nesse último ano, 1 único post. Ainda por cima escrevendo com algarismo ao invés de por extenso. Isso não: um único post em 2011. Amanhã faria um ano que eu não atualizava meu moribundo blog e isso não pode ficar assim.
Ainda mais agora, que eu ando feliz, recebendo e dando sorrisos como se fosse uma modelo no stand do Salão do Automóvel. Eu estou amando todo mundo. E melhor, estou me sentindo amável.
É um pouco tarde para desejar Feliz 2012. Mas é o que eu desejo, para mim e para quem estiver lendo.
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Personal trainer.
O personal manda um sms: "Tudo bem? Vc chegou a fazer o deposito? Nao estou encontrando aqui. Abs".
Ao que eu, cheio de gracinha, respondi: Fiz sim, na sexta. Depositei na sua poupança, você não sentiu?
Ele responde: "Encontrei aqui, obrigado".
Então me dou conta do quanto estou fodido na aula de amanhã.
Ao que eu, cheio de gracinha, respondi: Fiz sim, na sexta. Depositei na sua poupança, você não sentiu?
Ele responde: "Encontrei aqui, obrigado".
Então me dou conta do quanto estou fodido na aula de amanhã.
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Galerinha do Surf.
Eu alugo casa na praia com outros três búfalos e nossas búfalas fêmeas, obviamente.
Minto: 3 de nós temos búfalas fêmeas. O quarto elemento é um búfalo alfa que traz para casa fêmeas de todo tipo. Enfim, a casa é maravilhosa, num condomínio de übber-ricos ultracaretas. Por estar em mal estado, inacabada desde a década de 80 e precisando de reformas sinceras, nossa casa é acessível para nossos bolsos, um tremendo achado. Somos os únicos que alugam, os demais são todos proprietários. Portanto não é difícil responder sorrindo aos cumprimentos contidos de nossos sempre bem-vestidos colegas de muro, ao darem de cara com as nossas bermudas velhas e pranchas molhadas: ali nós somos os hippies.
Numa festa de aniversário que aconteceu na casa teve DJ e queima de fogos. Quase deu polícia, deu uma cachoeira de reclamação, culminando com os vizinhos da frente entrando no carro e subindo a serra num sábado à meia-noite, tão incomodados com a nossa folia. Minha cachorra Olga, que em vez de hippie é uma skinhead, foi proibida de pôr as patas no condomínio por comportamento inadequado.
Eis que um dia, voltando da praia, encontramos um bilhetinho de criança sobre a mesa, já que na nossa casa a mesa fica do lado de fora: a sala de jantar tem uma mesa de sinuca. O bilhetinho, com aquela letrinha irresistível, dizia:
Galerinha do Surf e mulheres.
Venham na inauguração do restaurante de Camburi
melhor comida saladinhas. Por favor venham.
A garotinha do vizinho da frente havia arrumado uma mesa e estava ali brincando de restaurante. Deu para ver os pratinhos de plástico com grama e folhas fingindo de salada, copinhos e talheres de brinquedo. Entre uma cerveja e outra, quase aceitei o convite. Mas não.
Porque me veio a imagem dos pais da garotinha apontando para a nossa casa, a cada vez que a música alta ou as risadas ou o cheiro de fumaça ilegal atrapalha o fim de semana deles: é a "galerinha do surf".
Minto: 3 de nós temos búfalas fêmeas. O quarto elemento é um búfalo alfa que traz para casa fêmeas de todo tipo. Enfim, a casa é maravilhosa, num condomínio de übber-ricos ultracaretas. Por estar em mal estado, inacabada desde a década de 80 e precisando de reformas sinceras, nossa casa é acessível para nossos bolsos, um tremendo achado. Somos os únicos que alugam, os demais são todos proprietários. Portanto não é difícil responder sorrindo aos cumprimentos contidos de nossos sempre bem-vestidos colegas de muro, ao darem de cara com as nossas bermudas velhas e pranchas molhadas: ali nós somos os hippies.
Numa festa de aniversário que aconteceu na casa teve DJ e queima de fogos. Quase deu polícia, deu uma cachoeira de reclamação, culminando com os vizinhos da frente entrando no carro e subindo a serra num sábado à meia-noite, tão incomodados com a nossa folia. Minha cachorra Olga, que em vez de hippie é uma skinhead, foi proibida de pôr as patas no condomínio por comportamento inadequado.
Eis que um dia, voltando da praia, encontramos um bilhetinho de criança sobre a mesa, já que na nossa casa a mesa fica do lado de fora: a sala de jantar tem uma mesa de sinuca. O bilhetinho, com aquela letrinha irresistível, dizia:
Galerinha do Surf e mulheres.
Venham na inauguração do restaurante de Camburi
melhor comida saladinhas. Por favor venham.
A garotinha do vizinho da frente havia arrumado uma mesa e estava ali brincando de restaurante. Deu para ver os pratinhos de plástico com grama e folhas fingindo de salada, copinhos e talheres de brinquedo. Entre uma cerveja e outra, quase aceitei o convite. Mas não.
Porque me veio a imagem dos pais da garotinha apontando para a nossa casa, a cada vez que a música alta ou as risadas ou o cheiro de fumaça ilegal atrapalha o fim de semana deles: é a "galerinha do surf".
terça-feira, 6 de julho de 2010
A culpa é do twitter.
Tem uma carta do Mário de Andrade, acho, que termina assim: "desculpe pelo tamanho da carta. Se tivesse tempo, teria escrito menos."
O Twitter, com sua obrigatoriedade de 140 toques, nos faz concisos, objetivos, e torna-se um desafio semi-literário não perder o raciocínio tendo que escrever tão pouco. Tenho alguns amigos que se tornaram craques - não por acaso trabalham em propaganda, onde o menor texto geralmente é o melhor texto.
Mas o ponto é que com o Twitter, eu comprimo tanto o pensamento que termino cada quadradinho daqueles exausto. Não sobra nada para escrever aqui. Sem falar que imagino uma pessoa, ao escolher onde perder os 5 minutos relativos ao cafezinho que acabou de buscar na máquina, opte pela variedade que só o Twitter proporciona. Eu ontem passei muitos cafezinhos lendo o blog de uma menina que vive no Canadá que eu conheci via Twitter. Textos deliciosos, sobre o assunto atual dela, que é viver no Canadá.
Mas aquele não é, como este, um blog sobre a esquizofrenia de um indivíduo. Sobre a loucura de tentar viver disfarçado entre as pessoas, ocultando sua identidade real de búfalo e quadrúpede, tentando esconder dos outros a perplexidade, o espanto, o medo a respeito de tanta coisa incompreensível que acontece ao meu redor.
Escrever no Twitter, com toda a escassez de espaço, acaba sendo muito mais libertador que um blog onde não há limite nenhum.
O Twitter, com sua obrigatoriedade de 140 toques, nos faz concisos, objetivos, e torna-se um desafio semi-literário não perder o raciocínio tendo que escrever tão pouco. Tenho alguns amigos que se tornaram craques - não por acaso trabalham em propaganda, onde o menor texto geralmente é o melhor texto.
Mas o ponto é que com o Twitter, eu comprimo tanto o pensamento que termino cada quadradinho daqueles exausto. Não sobra nada para escrever aqui. Sem falar que imagino uma pessoa, ao escolher onde perder os 5 minutos relativos ao cafezinho que acabou de buscar na máquina, opte pela variedade que só o Twitter proporciona. Eu ontem passei muitos cafezinhos lendo o blog de uma menina que vive no Canadá que eu conheci via Twitter. Textos deliciosos, sobre o assunto atual dela, que é viver no Canadá.
Mas aquele não é, como este, um blog sobre a esquizofrenia de um indivíduo. Sobre a loucura de tentar viver disfarçado entre as pessoas, ocultando sua identidade real de búfalo e quadrúpede, tentando esconder dos outros a perplexidade, o espanto, o medo a respeito de tanta coisa incompreensível que acontece ao meu redor.
Escrever no Twitter, com toda a escassez de espaço, acaba sendo muito mais libertador que um blog onde não há limite nenhum.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Desde 70 o Brasil estreia mal em Copas.
Ok, ok, a Coreia do Norte é uma merda.
Mas numa análise retroativa, o jogo ruim de terça não significa nada.
Em 70, tudo bem, goleada de 4x1.
Mas olha aí:
74: 0x0 contra a Iugoslávia;
78: 1x1 contra a Suécia;
82: 2x1 contra a URSS, sendo que 2 pênaltis para os soviéticos não foram marcados;
86: 1x0 contra a Espanha, com gol impedido do Doutor e gol legítimo da Espanha anulado (bola que bateu no travessão e dentro do gol, lembra?);
90: 2x1 contra a Suécia;
94: 2x0 contra a Rússia, com um gol de pênalti.
98: 2x1 contra a Escócia, com um gol contra e uma bola desviada com a mão pelo Dunga;
02: 2x1 contra a Turquia, roubalheira a favor do Brasil;
E, por fim, 06: 1x0 contra a Croácia.
Não serve para nenhum prognóstico, mas confirma que a Seleção sempre sente o peso da camisa no primeiro jogo. E que isso é normal, porque 5 estrelas pesam mesmo.
Mas numa análise retroativa, o jogo ruim de terça não significa nada.
Em 70, tudo bem, goleada de 4x1.
Mas olha aí:
74: 0x0 contra a Iugoslávia;
78: 1x1 contra a Suécia;
82: 2x1 contra a URSS, sendo que 2 pênaltis para os soviéticos não foram marcados;
86: 1x0 contra a Espanha, com gol impedido do Doutor e gol legítimo da Espanha anulado (bola que bateu no travessão e dentro do gol, lembra?);
90: 2x1 contra a Suécia;
94: 2x0 contra a Rússia, com um gol de pênalti.
98: 2x1 contra a Escócia, com um gol contra e uma bola desviada com a mão pelo Dunga;
02: 2x1 contra a Turquia, roubalheira a favor do Brasil;
E, por fim, 06: 1x0 contra a Croácia.
Não serve para nenhum prognóstico, mas confirma que a Seleção sempre sente o peso da camisa no primeiro jogo. E que isso é normal, porque 5 estrelas pesam mesmo.
domingo, 6 de junho de 2010
6 de Junho. Dia D.
Foi o dia em que mudaram o rumo da Segunda Guerra Mundial, com o desembarque na Normandia.
Foi o dia em que eu, dias depois de ter descoberto que tinha câncer, operei.
Renasci, um pouco menos esperançoso e um pouco menos inocente que da primeira vez. Se imagina que passar por isso torna a pessoa mais tolerante e mais feliz, por ter sua segunda chance.
O mundo também renasceu num 6 de Junho, já que ali se definiu que a ameaça nazista não teria chance de se espalhar, como metástases, por outros continentes. Foi uma intervenção cirúrgica precisa e definitiva, como foi a minha.
O mundo não se tornou mais tolerante e feliz por essa segunda chance. Não é o que acontece.
Junto com o susto e com o medo, vem o pragmatismo de quem acorda. De repente você não acha mais que sua vida daria um filme, que você é um personagem querido de Deus, ou essas coisas. Você descobre que as coisas dão errado sim, contra a sua vontade, e que muitas vezes não é uma questão de atitude para que elas voltem a dar certo.
É só acaso. Por acaso as coisas podem voltar ao lugar, a vida pode seguir, e se pode voltar a ser feliz. Apesar de se ter perdido a inocência.
Apesar disso, em 6 de Junho, me sinto agradecido por estar aqui. Assim como o resto do mundo deve estar.
quinta-feira, 27 de maio de 2010
A maior solidão da minha vida.
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Nessa época de Copa, além de xingar o técnico da Seleção seja ele quem for, somos forçados ao velho balanço das competições passadas. É o típico assunto contagioso, como quando alguém fala do assalto que sofreu ou de uma batida de carro, e os que estão ao redor contam dos seus assaltos e batidas e por aí vai.
Assunto Copa geralmente começa com a de 82. É impressionante para mim a clareza de detalhes dos relatos sobre aquela Seleção, a melhor e mais injustiçada da história. Além de revelar a idade de quem conta, a Copa de 82 é cheia de memórias doloridas e vívidas: o cara vendo o pai chorar, aquele menino na capa do JT. Eu lembro que saí da casa do meu tio onde assistíamos ao fracasso, o churrasco queimando esquecido na churrasqueira, e que a casa vizinha estava em reforma. Monte de areia na calçada, e três fileiras de telhas de barro escoradas no muro. Chutei uma por uma, elas se quebravam com facilidade. Aí meu pai me tocou no ombro - tocou, com delicadeza, veja bem. Me viu ali vandalizando as telhas do vizinho como um hooligan inglês, e reagiu me chamando para entrar no carro e irmos embora.
Foi o segundo momento de maior solidão da minha vida, quebrado pelo toque e pela inédita compreensão do meu pai.
O momento só do título do post foi em 94. Depois de 82 e as três Copas seguintes, ninguém mais acreditava que o Brasil seria campeão novamente. Raí? Dunga? Jogador Zinho? Eis que o Baggio corre para a bola, e isola. Eu nem vi direito o que aconteceu. Levantei correndo da sala, em direção à rua, para avisar a todo mundo que aquele merda toda tinha finalmente acabado.
A porta de madeira que dá acesso à rua se fechou atrás de mim, e eu me espantei com o silêncio lá fora. Na rua não havia sinal de Tetra. Dentro das casas o Brasil inteiro devia estar se abraçando, chorando, tendo infartos. Mas na rua se ouvia o som de fogos e de gritos abafados por paredes. Eu estava sozinho. E sem chave para abrir a porta e voltar para dentro da casa.
Toquei a campainha freneticamente, desesperadamente só. Só depois de 10 minutos alguém escutou e veio abrir.
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