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quarta-feira, 24 de março de 2010

Olga.


Hoje faz 4 meses que eu tenho a Olga, uma vira-lata de muita raça que resgatei, já adulta, da indigência. Um olhar foi o bastante para eu decidir cometer um dos maiores erros da minha vida, bagunçar completamente meu apartamento e a minha rotina.
Passei a ter a obrigação de acordar muito mais cedo, e a de não voltar muito tarde para casa. Eletrodomésticos da cozinha foram destruídos, como também coisas sem valor material mas muito do geralmente oposto valor sentimental: guia de ondas da Indonésia, estatueta de madeira do Chile, a rolha do vinho que eu abri para comemorar a assinatura do contrato do apartamento.
Mas após esses 120 dias dias de convivência, as surpresas negativas diminuíram. E eu já não consigo conter o orgulho quando ela senta, ao meu comando. Ou permanece imóvel, me olhando desesperadamente através da porta aberta, enquanto eu me afasto dizendo "fica... fica... fica...". Acredite: poucas coisas são mais gratificantes do que dizer "vem" depois.
Estávamos caminhando um dia desses, é delicioso ouvir os elogios que ela recebe por ser tão bonita, ter uma cara tão feliz. Às vezes é particularmente bom, quando eu consigo que ela sente para receber os elogios, que então transbordam. Ela, que afinal é menina, adora. Como me adora, incondicionalmente, seguindo cada um dos meus passos e respondendo, com uma balançada de rabo, a qualquer olhar meu lançado em sua direção.
Talvez a Olga venha a ser a fêmea que mais me amou no mundo.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Uma foto.

Um cara que não tem as pernas passa na cadeira de rodas. A cadeira é daquelas com rodas inclinadas, mais estável para prática de esportes. Correndo ao lado dele vai um cachorro vira-lata, coleira presa à cadeira.

Aí percebo que o cachorro também é deficiente físico, não tem uma das patas dianteiras. Fascinado acompanho os dois em sua corrida, eles atravessam a rua e já estão longe quando eu tiro a foto.

Fico pensando em quem escolheu quem.

terça-feira, 22 de julho de 2008

O melhor amigo do homem.

A mulher do meu irmão pediu um cachorro de presente. Ele comprou um balão de gás em forma de cachorro, ela ficou zangada, ele ficou puto com a zanga dela e deu o balão para uma menininha, que amou. Aí me perguntaram se eu tinha cachorro, respondi que não.

Eu tenho este blog.

Dá trabalho como cachorro, precisa de tempo e atenção como cachorro. E morre por negligência do proprietário, como cachorro. Outro dia vi um blog dedicado a blogs que só tiveram um post, chamava One Post Wonders (se não era esse o nome, deveria ter sido, não?). Também estive acessando os blogs de conhecidos que passam eventualmente por aqui: muitos estão com as costelas aparecendo, com sarna, bernes formidáveis. Abandonados.

Por isso eu decidi voltar a escrever, e com freqüência. Pelo menos uma vez por semana. Não que alguém além de você vá ler, mas há que se ter responsabilidade. Abane o rabinho, Búfalo Filhote.